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sábado, 8 de agosto de 2015

8.8.15 - Kings Canyon | Alice Springs


Mais de 300 km em pleno deserto australiano separam Kings Canyon e a maior cidade do centro da Austrália, Alice Springs.
Mais de 300 km de estrada em terra batida - com buracos, pedras, restos de carros, pontos de fotografia, três bombas de gasolina e uma povoação que se assemelhava a um parque de roulottes - por onde passam turistas e locais, tornando-se em alguns pontos inóspita.
Ontem não vimos nenhum canguru – excepto o que vinha espetado no meu prato e do João – e hoje tínhamos vontade de ver o ícone australiano.
Andamos, andamos e andamos. Olhamos para todo o lado, para a esquerda, e para a direita, para a estepe. Nada. Apenas alguns cavalos selvagens e vacas. Mas a avaliar pelos excrementos que existiam, em quantidade e tamanho, os animais deveriam estar todos lá, a olhar para nós e a rirem-se.
Risota geral deve ter sido quando tivemos que parar para mudar um pneu.
Mas aí, tal qual uma equipa de F1, eu e o João tiramos as malas do carro, soltamos o pneu suplente, desapertamos o pneu de origem, colocamos o carro no ar, retiramos o pneu, baixamos o carro, apertamos as porcas em menos de 15 minutos. Enquanto elas olhavam para nós e tiravam fotos.
Camaradagem foi o que sentimos porque os carros que passaram por nós durante esse tempo, 3 ou 4, pararam e ofereceram ajuda.
Depois desse episódio – uma aventura, direi eu! – tivemos que ir directos a Alice Springs, não arriscando continuar pelo meio das montanhas, na terra batida, sem pneu suplente e com um avião para apanhar em direcção à grande barreira de coral.
Quanto aos cangurus, apesar dos sinais na estrada para termos cuidados com eles, apesar de vermos carros desfeitos que só poderiam ter embatido em algum animal para ficarem naquele estado, nem vê-los. Fica como recordação os do Zoo de Singapura e um que comprei numa caneta.






7.8.15 - Ayeres Rock | Kings Canyon

Começo esta crónica por dizer que estou com um dia de atraso na escrita. Andar pelo deserto tem coisas destas, apesar dos tempos modernos em que vivemos, nem sempre há rede, nem sempre à energia eléctrica.
Uluru foi tão mágico que nem vos contei o resto.
Ficamos a dormir no Outback Pionner Lodge, um hostel preparado para caminhantes e pessoas que atravessam o deserto, muito ao estilo militar: casernas com tecto de zinco, banho quente e barbeque.
Ainda bem que o banho era a escaldar porque a temperatura ia descer aos 3 ºC!
O barbeque era comunitário; ou seja, cada um comprava a sua carne e ia grelhar a seu gosto. O acompanhamento estava incluído com a carne mas a cerveja era à parte. Comprei crocodilo; não estava tão bom como um que comi na Sony Platz em Berlim ou, posteriormente, na Tasquinha Alentejana em Cucujães mas estava bom e fui eu o homem do meu churrasco.
Os quartos do hostel eram de 4 pessoas e, por isso, o João ficou com as Chicas e eu fui fazer novos amigos. Calhou-me um casal alemão com um filho de uns 13 ou 14 anos. Ressonaram a noite toda e o miúdo acordou a meio da noite a falar. Não dormi nada, ainda por cima a alvorada era cedo.
Às 6:30 da manhã estávamos na estrada para ver o sol nascer nas montanhas de Kata Tjuta, também consideradas sagradas pelos aborígenes.
Entre Uluro e Kata Tjuca não existem elevações e, apesar dos 40 km de distância uma da outra, são perfeitamente visíveis. Depois do nascer do sol na montanha, caminhamos um pouco em torno dela, pelo caminho do Karu, no Valley of the Winds.
De Ayeres Rock ao Kings Canyon, o nosso destino, eram mais ou menos km em pleno deserto australiano. Com as expectativas no máximo para vermos cangurus, camelos e cobras a atravessarem-nos à frente, fizemo-nos à estrada. Wild life here we go!
Passados mais ou menos 100 km da nossa partida, numa bomba de gasolina, falei com um casal motard, de Melbourne, que cruzava o país em duas Harleys. Era a primeira vez que iam a Uluru, tendo-lhes mostrado fotografias do dia de ontem. Tinham entre 50 e 60 anos e era a primeira vez que lá iam; ontem, no pôr-do-sol em Uluru, outro casal de Melbourn, mais velho que este, referiu-me também que era a primeira vez que lá estavam; viajar na Austrália é caro, nem todos podem fazê-lo. É nestes momentos, ao ouvir isto, que penso que vale a pena desfrutar, aproveitar a viagem, focar-me nas paisagens, nos sítios que vou conhecendo, na gastronomia, na cultura; tenho muita sorte em estar aqui; e essa sorte deu muito trabalho.
A viagem correu de forma pacífica e em 3 horas chegamos ao destino.
Se Uluru é mágico, Kings Canyon é a verdadeira obra de deus. Como qualquer falha geológica, como qualquer desastre da natureza, cria cenários únicos, brutais e belos.
Caminhamos durante 5 horas pelos 6 km de caminhos permitido no Canyon, onde vimos as placas tectónicas de cima e de baixo; olhei para o abismo e senti a vertigem de me sentar sobre ele, sem nada entre mim e o chão, centenas de metros lá em baixo.
Se Uluru é mágico pela santificação que os locais lhe deram, Kings Canyon esmaga-nos com a sua dimensão e pelo alaranjado da rocha que funciona como uma verdadeira pilha.
À noite, a olhar para o céu, com a Via Láctea e as suas 1000 constelações, vi, uma vez mais, quão ínfima e a nossa realidade.