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sábado, 8 de agosto de 2015

7.8.15 - Ayeres Rock | Kings Canyon

Começo esta crónica por dizer que estou com um dia de atraso na escrita. Andar pelo deserto tem coisas destas, apesar dos tempos modernos em que vivemos, nem sempre há rede, nem sempre à energia eléctrica.
Uluru foi tão mágico que nem vos contei o resto.
Ficamos a dormir no Outback Pionner Lodge, um hostel preparado para caminhantes e pessoas que atravessam o deserto, muito ao estilo militar: casernas com tecto de zinco, banho quente e barbeque.
Ainda bem que o banho era a escaldar porque a temperatura ia descer aos 3 ºC!
O barbeque era comunitário; ou seja, cada um comprava a sua carne e ia grelhar a seu gosto. O acompanhamento estava incluído com a carne mas a cerveja era à parte. Comprei crocodilo; não estava tão bom como um que comi na Sony Platz em Berlim ou, posteriormente, na Tasquinha Alentejana em Cucujães mas estava bom e fui eu o homem do meu churrasco.
Os quartos do hostel eram de 4 pessoas e, por isso, o João ficou com as Chicas e eu fui fazer novos amigos. Calhou-me um casal alemão com um filho de uns 13 ou 14 anos. Ressonaram a noite toda e o miúdo acordou a meio da noite a falar. Não dormi nada, ainda por cima a alvorada era cedo.
Às 6:30 da manhã estávamos na estrada para ver o sol nascer nas montanhas de Kata Tjuta, também consideradas sagradas pelos aborígenes.
Entre Uluro e Kata Tjuca não existem elevações e, apesar dos 40 km de distância uma da outra, são perfeitamente visíveis. Depois do nascer do sol na montanha, caminhamos um pouco em torno dela, pelo caminho do Karu, no Valley of the Winds.
De Ayeres Rock ao Kings Canyon, o nosso destino, eram mais ou menos km em pleno deserto australiano. Com as expectativas no máximo para vermos cangurus, camelos e cobras a atravessarem-nos à frente, fizemo-nos à estrada. Wild life here we go!
Passados mais ou menos 100 km da nossa partida, numa bomba de gasolina, falei com um casal motard, de Melbourne, que cruzava o país em duas Harleys. Era a primeira vez que iam a Uluru, tendo-lhes mostrado fotografias do dia de ontem. Tinham entre 50 e 60 anos e era a primeira vez que lá iam; ontem, no pôr-do-sol em Uluru, outro casal de Melbourn, mais velho que este, referiu-me também que era a primeira vez que lá estavam; viajar na Austrália é caro, nem todos podem fazê-lo. É nestes momentos, ao ouvir isto, que penso que vale a pena desfrutar, aproveitar a viagem, focar-me nas paisagens, nos sítios que vou conhecendo, na gastronomia, na cultura; tenho muita sorte em estar aqui; e essa sorte deu muito trabalho.
A viagem correu de forma pacífica e em 3 horas chegamos ao destino.
Se Uluru é mágico, Kings Canyon é a verdadeira obra de deus. Como qualquer falha geológica, como qualquer desastre da natureza, cria cenários únicos, brutais e belos.
Caminhamos durante 5 horas pelos 6 km de caminhos permitido no Canyon, onde vimos as placas tectónicas de cima e de baixo; olhei para o abismo e senti a vertigem de me sentar sobre ele, sem nada entre mim e o chão, centenas de metros lá em baixo.
Se Uluru é mágico pela santificação que os locais lhe deram, Kings Canyon esmaga-nos com a sua dimensão e pelo alaranjado da rocha que funciona como uma verdadeira pilha.
À noite, a olhar para o céu, com a Via Láctea e as suas 1000 constelações, vi, uma vez mais, quão ínfima e a nossa realidade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

6.8.15 - Sydney | Ayeres Rock

Ontem, depois de vos ter escrito, depois de marcar os mergulhos para Cairns e de uma bela soneca, saímos para nos despedirmos de Sidney.
Destino: Darling Harbour. Um fancy spot, mesmo do outro lado do porto que tem a
Ópera e Rocks.
Deambulamos pela bairro chinês - o jardim já estava fechado - e fomos dar ao porto. Vários barcos de recreio, bom ambiente e muitos restaurantes de bares. Num bar italiano com uma bella ragazza a indicar as mesas e como funcionava o Happy Hour, bebemos vários gins pela metade do preço. Depois disso foi o adeus e o retomar a casa para cozinhar o jantar e fazer a mala para hoje.
Hoje foi tudo a correr, como sempre; até parece que fazemos de propósito para andarmos sempre em cima da hora.
Assim, depois de sairmos tarde de casa, de haver uma indefinição se deveríamos ou não carregar o cartão do metro - não carregamos -, quando chegamos a Central, ouve-se no sistema de som: "Emergency, emergency: please evacuate the station. All passangers" e toda a gente saiu a correr da estação.
"- Vamos de taxi?
- Onde está um taxi?
- Está gente a entrar na estação!
- Vamos de metro."
E lá fomos nós a correr para apanhar o metro para o aeroporto.
O voo, interno, cheio de espanhóis, uns portugueses para além de nós, franceses, alemães, chineses e alguns australianos, teve vários abanicos que o tornaram muito interessante do ponto de vista da adrenalina. A aterragem foi com o avião descompensado devido ao vento, numa pista que parecia a superfície lunar. Love it!
Ayeres Rock tem um aeroporto mais pequeno que a paragem dos autocarros da Batalha. Mas isso não é importante, o importante era aterrar no meio do deserto para ver Uluru, a Montanha Sagrada.
Carregamos o Mitsubishi, decoramos com os logótipos da fluidotrónica, Norfer, eni, Arax Gazzo, Roadgalaxy, Agência Paraíso, Vida Económica, Hama, Monte Campo, Alpinestars, Nau Helmets e Konica Minolta passamos no hostel a deixar as malas - lá se foram os hoteis e apartamentos de luxo -, trocar de roupa - coloquei as perneiras da Monte Campo para poder caminhar à vontade no meio da vegetação sem me picar e sem os bichos me picarem - e rumamos a Uluru.
20 km de estrada de asfalto no meio de uma superfície vermelha, fazendo lembrar Marte, com alguma vegetação rasteira e poucas árvores. Sinais de répteis e outros animais selvagens. Tudo em direcção à montanha adorada pelos aborígenes.
No meio de tudo, como uma nave gigante ou um meteorito, erge-se da terra plana uma montanha vermelha, sem vegetação.
Andamos à sua volta - não se pode subir, é um desrespeito para com os locais - tiramos fotos e vimos o pôr-do-sol nela.
Lindo, maravilhoso. Uma paz, um ambiente, uma sensação que posso igualar ao que vivi em Abu Simbel; daquelas coisas que vou recordar para sempre.
A viagem já valeu a pena.
Tanto que não vale a pena escrever mais nada... até amanhã.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

5.8.15 - Sydney

Último dia oficial em Sidney e o sol acordou para nos vir brindar. Para Palmamaníacos como eu e o João já fomos, era quase o "Acorda Menina Linda" ( quase porque ele pode cantar isso... eu não.).
Com sol, com toda a gente desperta, fomos de autocarro até Bondi Beach, uma das prais mais famosas do mundo.
Descendo em linha recta até ao mar, por entre casas da primeira parte do século XX começa-se a avistar o Pacífico. Lindo, não pela praia ou a areia ou outra coisa fancy que apareça; lindo por ser o Pacífico, por ser "aquele check", por, mal fomos perto do areal, apesar do frio, ter tirado as sapatilhas, arregaçado as calças e fui molhar os pés. A água estava quente.
Bondi Beach é uma praia à moda antiga, com as casas de veraneantes, os hóteis típicos, uma marginal onde muita gente faz desporto, murais pintados e um mar azul esverdeado com umas ondinhas a lembrar o Furadouro, ou Espinho, ou a Póvoa, ou Santa Cruz, ou as Maçãs ou outra praia típica do nosso Portugal.
De Bondi Beach seguimos por um passadiço de madeira, levando-nos pelas falésias até Tamarama e Bronte. Muita gente a passear cães, a fazer jogging, a desfrutar da paisagem. Ao longo da costa várias piscinas de marés, tendo nós que lembrar às nossas parceiras de viagem que uma das mais famosas do mundo se encontra em Leça da Palmeira e que o arquitecto, português, é um tal de Siza Vieira que ganhou, entre outros, o Pritzker.
Além das piscinas, dos locais de surf e de casas soberbas pela arquitectura e a localização privilegiada sobre o mar e as falésias, inúmeros clubes de bowling; sendo que aqui se pratica a primeira vertente do bowling, ou seja, na relva.
Entre Tamarama e Bronte, num cenário entre a paz e o abismo, encontra-se um cemitério. Cruzes celtas, romanas ou de braços direitos, estátuas clássicas, colunas e esquadros maçónicos, ao quais se juntam nomes irlandeses, ingleses, italianos. Neste cemitérios tem-se a percepção que vieram e construiram a Áustralia: vindo fugidos ou obrigados, de vários credos e meios sociais, tendo em comum o desejo de deixar uma vida para trás e iniciar outra.
Este foi o último dia em Sidney porque amanhã de manhã vamos viajar para a zona centro do país, para Ayeres Rock e Uluru.
Sidney é uma cidade fantástica, tendo como grandes polos de atracção a Ópera e a ponte, sendo que fica tudo muito próximo.
Falar de Sidney é falar do mundo novo versos o mundo velho; é Londres versus Nova Iorque; é Lisboa versus Rio de Janeiro. É uma cidade vibrante que não consegue - nem quer - esconder a sua influência materna mas que, pelos edifícios, pelas pessoas, aponta claramente para a contemporaneidade, de uma forma muito cosmopolita e de mente aberta.
Uma rocha que era o destino de prisioneiros ingleses transformou-se na grande nação que é hoje.