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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Tempo de planear

É sexta-feira e daqui a pouco saio do escritório da Loba.
Há dias voltei da viagem pela Alemanha, Dinamarca e Suécia e, mal cheguei, apetecia-me fazer as malas e partir para outra aventura.
Sim, bem sei que não pode ser assim, não há tempo nem dinheiro para tudo mas, se pudesse...
Com tudo marcado para Agosto: Singapura, Austrália e uns dias na Suiça, há que pensar no que fazer antes e depois.
Nos próximos dias irei ver mapas, analisar, preços de hostels, de viagens de avião de aluguer de motos.
Irei matutar, ou ponderar para ser mais correcto para, em princípio, tomar a decisão mais sensata.
Em cima da mesa estão duas hipóteses: Alemanha, Áustria, Eslováquia, Hungria e Eslovénia, moto, sozinho. Saltar de cidade em cidade, conhecendo o que há para conhecer a um ritmo alucinante.
Ou parte do Camiño de Santiago, Via del Plata. Vários dias a pé, por Espanha, conhecendo qquem passa, pensado na vida, no caminho a seguir no Camiño. Aqui iria em grupo. Mas, que grupo, como irá ser?
Se fossem vocês, o que prefeririam?

    

domingo, 3 de maio de 2015

3.5.15 - Lund | Helsingborg | Helsingor | Copenhaga

Ontem , depois de ter escrito o texto, ter dormido uns minutinhos e tomado banho, saí para jantar. Fui para uma esplanada mas, com o passar do tempo, o frio foi aumentando e, então decidi sentar-me no interior, ao balcão. Na parede, o cartaz dos 1000 km de Barcelona de 1971, com a silhueta de um 917. O empregado disse-me logo que era grande fã de corridas e que tinha dois Peugeot 205 para ir aos track-days. Não é difícil de imaginar que ficamos a falar grande parte do jantar.
Hoje, uma vez mais o sol decidiu aparecer de manhã cedinho e cheio de energia.
Com uma hora de atraso - o hostel era cheio de tecnologia e domótica mas, como sempre, tem que haver uma mão humana e essa mão era necessária para abrir o portão da garagem onde estava a moto - saí de Lund e fui em direcção a Helsingborg. Por auto-estrada,os pouco mais de 50 km fizeram-se bem.
Chegado a Helsingborg
 , quando parei a moto, pararam duas Harleys ao meu lado. Um sueco e um emigrante croata de Zadar, ambos chamando-se João, mas nos seus idiomas. Conversamos, mostrei-lhes o blog e fiz-me à vida.
Subi à torre do castelo e tive a percepção da importância do controlo do mar - a Dinamarca está à vista, a apenas 20 minutos de barco - desde tempos antigos.
Antes de apanhar o ferryboat passeei pela marina e vi imensas alforrecas pequenas naquelas águas.
Cruzei o Báltico e encontrava-me, uma vez mais, no reino da Dinamarca.
Segui pela costa até Copenhaga. Tão lindo!
Pequenas praias, muitos veleiros, vilas com casas bonitas e que se enquadravam na paisagem. Pelo estilo das casas, a localização e a quantidade de Aston Martin, Porsche e Ferrari com que me cruzei, facilmente reparei com estava numa zona luxuosa, muito fancy. Mas não era pretensiosa ou opulenta.
Cruzei-me com centenas de motos, Harleys e outras choopers, fazendo lembrar os vikings; e estamos na terra deles.  
Nesta parte da viagem abri a viseira do Nau e deixei entrar o cheiro a maresia. Uhmm tão bom!
Cheguei a Copenhaga e fui ao hostel, mesmo no centro, deixar a moto e trocar de roupa. Novamente deambulei pela cidade, vendo o que ainda não tinha visto: a estátua da sereia, David, de Miguel Ângelo, o Museu de Design, e mais umas ruelas que me pareceram interessantes.
A estátua da sereia, aos meus olhos, ficam bem enquadrada com o menino da pila de Bruxelas: são tão pequenas que desencantam as mais baixas expectativas.
Entre crepes e cerveja, acabei a tarde em Nyhavn a apanhar sol e a ouvir um musico de rua a cantar êxitos dos 90`s.



sábado, 2 de maio de 2015

2.5.15 - Copenhaga | Malmo | Lund

Ontem à noite ainda me aventurei por uns bares tipicamente dinamarqueses, fora da zona turística. Mas a noite acabou no bar do hostel, enre cervejas, à conversa com a Laura - colombiana e professora de ciências sociais - e com o recepcionista, que tinha cara de miúdo mas já tinha vivido 18 meses de mochila às costa pela Ásia.
Hoje o sol acordou para nos fazer sorrir. Apesar do frio, os raios dourados sabem muito bem, tornando a viagem muito mais agradável.
Deixei Copenhaga cedo para atravessar a ponte e continuar a viagem pela Suécia. Cruzar o Báltico, unindo a Dinamarca à Suécia foi, para mim, o motivo desta viagem.
Por isso, emocionado, atravessei a majestática ponte, pensando que pontes aproximam povos, países, culturas, religiões, promovendo a troca de impressões e fazendo-nos caminhar para um mundo melhor. Nem pensei que a portagem da mesma, para motos, só custa 25 euros!
Com isto, de sorriso de orelha a orelha, cheguei a Malmo. Que agradável surpresa: a cidade é muito mais interessante do que algum dia poderia imaginar.
Fui até à zona da praia e, encostado às dunas, um enorme parque relvado, com diversos lagos e animais, onde famílias praticavam desporto, faziam piqueniques, brincavam, etc. etc.. Nesse sítio pude ver uma prova ao estilo Iron Man, onde os bravos corriam pela areia, pelo mar, saltavam em cordas e mais uma série de proezas.

Daí segui para o centro. Uma mistura de construções antigas, de tijolo, com o vidro e aço moderno das companhias de navegação e das grandes consultoras.
Aqui encontra-se a famosa escultura de bronze de Carl Fredrik Reuterswärdv, num apela à paz mundial.
Uma lindíssima igreja protestante e, local do meu almoço, a estação de caminho-de-ferro.
A parte antiga da estação foi transformada numa espécie de Mercado Bom Sucesso, ou da Ribeira, ou La Boqueira, ou San Miguel, ou onde quiserem chamar.
Uma bonita e simpática empregada de um dos restaurantes aconselhou-me um peixe fumado com batatas no forno e um molho ácido. Uma cerveja a acompanhar. Divinal!
Depois de almoço foi tempo de rolar até Lund, uma pequena cidade universitária cheia de gente nova e bicicletas.
A igreja, apesar de austera e ter levado um restauro recente ( Grande Guerra?), é bastante bonita, com uma câmara inferior com capelas mortuárias de gente importante de outros tempos.
O centro da cidade parece uma casinha de bonecas, muito cozy, com os habitantes ávidos de sol a aproveitarem todo e qualquer espaço para o saborearem: já de calções e manga curta, com os estonteantes 13ºC.



domingo, 5 de abril de 2015

4.4.15 - Rubiães | Fontoura | Valença | Tui

Um Sábado de Páscoa com imenso sol e calor, o desejo antigo de fazer, a pé, o Caminho de Santiago, e um grupo de amigas - uma que até me viu nascer! - que o está a fazer por etapas. Foram estes os ingredientes que me levaram a acompanhá-las. A fórmula foi simples: começar no Albergue de Rubiães e caminhar até Tui.
O início do percurso foi extremamente bonito e calmo, junto ao rio Coura às pequenas cascatas que produzia, a ponte romana, vendo trabalhadores no campo, ovelhas a pastar. Do mais bucólico que o Alto Minho pode oferecer e que podemos desfrutar. Apesar da inclinação até S.Bento, respirando a calmaria da serra, caminha-se muito bem.
A partir de S.Bento são mais ou menos 15 km a descer até ao rio Minho, já com Tui à vista. A paisagem vai mudando e os quilómetros passam.
Em frente à capela do Senhor dos Aflitos, em Fontoura, encontramos um tasco com wifi gratuito e apinhado de peregrinos. Gente de Espanha, Irlanda, Alemanha e Suécia, aos quais nos juntamos, numa degustação de finos, pregos e chouriça assada. Todos professores ou consultores - como no "meu grupo" -, falamos de viagens pelo mundo e vivemos o verdadeiro espírito do Caminho: uma reflexão interior mas, também, com o espírito de partilha e comunhão bastante presentes, permitindo-nos conhecer pessoas de todo o mundo, com as mais diversas experiências.
De Fontoura a Valença, à uma da tarde, deu para bronzear e falar de cinema. Na fortaleza aguardava-nos uma " mini porque, depois de passar a ponte, é só cañas".
A fortaleza de Valença tem a movida característica de uma cidade de comercio de rua, e onde os peregrinos passam distraídos entre as montras e a busca das setas do percurso. Do topo da muralha vemos o Minho e a catedral de Tui, a meta.
Contudo, antes disso, temos que cruzar a ponte de ferro que une as duas margens e faz parecer que Portugal continua até Finisterra. Para mim, confesso, um marco especial: pela obra de engenharia, pela sua beleza e pelo seu significado.
Subir do Minho até à porta da catedral foi a última parte da etapa que nos levou " a Espanha a pé". Foram mais de 20 quilómetros de convívio, de conhecimento, de estórias actuais e de outros tempos.
Às minhas companheiras de viagem, desejo um bom caminho até Santiago. Um dia também o irei fazer.