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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

21.8.15 - Appenzeller

A região de Appenzeller é o coração da Suíça tradicional, terra de queijos, cerveja, montanhas e montanhismo.
Na próxima edição da National Geographic a foto de capa será desta região e, por isso, nada melhor que a ir ver antes da chegada maciça de turistas.
Assim, carreguei a Monte Campo com água, sandes e fruta, preparei uns bastões e as perneiras e fiz-me ao caminho, tendo como destino o mítico Wildkirchli.
Para se chegar lá, primeiro de carro, percorri uma daquelas estradas dos Alpes que adoro, no meio do verde, subindo a montanha entre montes e escarpas, curva contra curva. Daquelas estradas em que, se fosse num carro de corrida era capaz de ecoar o som do motor, da caixa de velocidades, dos pneus por quilómetros e quilómetros.
Passando a vila de Appenzeller, o acesso a Wildkirchli é onde acaba a estrada, onde acaba, igualmente, a linha do comboio e tem a estação do teleférico. A partir desse ponto, para mim, foi sempre a caminhar.
Entre os vários percursos à escolha e depois de estar a falar algum tempo com uma senhora que levava a Maria, que não deveria ter mais de 3 anos, a passear pela montanha, escolhi o que me parecia mais bonito e fácil.
Atravessando um ribeiro, tendo várias vacas como companhia, ainda com estrada de asfalto mas vedada a automóveis, comecei a subir, a subir a subir. Tanto que só tinha andado meia dúzia de metros e já estava a esticar os bastões para me auxiliar deles; tanto que até uma pequena bifurcação que estava a menos de 600 metros do local onde comecei a caminhada já tinha parado três vezes.
Nessa bifurcação tinha duas hipóteses: ou seguia em frente para o lago e em direcção a Santis - 4 horas de caminhada - ou então, virar à direita em direcção a Ascher e Wildkirchli. Optei pela segunda.
Neste ponto desapareceu o asfalto e a caminhada foi por um percurso estreito, onde apenas cabe uma pessoa e, como constante, a subida. Pedra por pedra, metro a metro, em esforço e sem haver um pequeno ponto de descanso. Imaginem subir uma pista de ski, sem ser nas cadeirinhas. Imaginem subir por aqueles sítios remotos por onde são instalados os postes do teleski. É mais ou menos isso, sem postes.
À medida que subia a paisagem ia ficando diferente: o que começou por ser a base das árvores, "rapidamente" se transformou numa vista por cima delas, as vacas já só se ouviam ao longe e as aves de rapina é que se fazem sentir.
No caminho, em sentido contrário, a descer, muita gente, muitos caminheiros altamente equipados, sozinhos ou em família, com crianças de colo - ou mochila -, transmitindo bem a ideia que para os suíços o contacto com a natureza, vê-la, explorá-la, é desporto nacional.
Quase no topo da montanha, quando já não há vegetação e o amarelo da pedra toma lugar, ouço o balir de umas ovelhas. Olho em frente, e dentro de uma pequena cerca, lá estavam elas. Mais adiante o mesmo com coelhos. Lindos, gordos.
Uns metros adiante, Ascher e o característico restaurante/ retiro de montanha construído dentro da rocha.
Estava cheio de gente e foi complicado arranjar um lugar para me sentar. Primeiro partilhei 5 minutos de mesa com uma bela estónia que me disse que a comida, naquele sítio, era muito boa.
Assim, além da cerveja tradicional de trigo de Appenzeller, pedi um não menos tradicional routti de queijo: batata frita palha, com queijo derretido, ervas e pimenta.
Entretanto a estónia foi embora e deu o lugar à Luana, à Nadine e ao Deniz. Três jovens suiços, simpatiquíssimos - ficou a promessa de nos encontramos num futuro próximo - que, como eu, decidiram vir ver Wildkirchli antes da demanda de turistas que se aproxima.
O almoço foi animado, com conversas sobre viagens e a história de Appenzeller. Tanto que prosseguimos juntos o resto da tarde.
Antes de descer ainda fui ver uma caverna onde tem um altar e se celebra missa: Wildkirchli.
Na descida cruzei-me com mais gente a subir e visitei casas de agricultores que vendiam queijo produzido pelas suas imponentes vacas.
Com os meus novos amigos, antes de chegar à base da montanha, cumpri-se uma tradição suíça: beber um vinho e comer uma tarte feita com pêra macerada. Bem bom, daqueles momentos para mais tarde recordar porque, em vez de copos, bebemos o vinho em xícaras de café, com pires e tudo.
No regresso, uma curta paragem na fábrica de cerveja de Appenzeller para provar os sabores locais.





segunda-feira, 17 de agosto de 2015

15.8.15 - Jabiru | Coolinda

Uma vez mais escrevo debaixo do manto estrelado, dentro do Parque Nacional de Kakadu, num parque de campismo em Cooinda.
Pouco mais de 50 Km distanciam Jabiru de Cooinda; mas o dia de hoje e a sua extensão é muito superior a isso.
Começamos o dia a ir à mina de urânio do Ranger. Das imagens aéreas que tínhamos visto parecia um local interessante, um abismo cinzento escuro onde não se via o fundo, e uma das maiores minas de urânio do mundo. Chegados lá, muitos "Danger" e não se viu nada. Da mina seguimos para norte, até Ubirr, sempre em estrada de asfalto.
As Wet Land estão na época seca e, por isso, passamos imensos riachos e rios sem nenhuma água ou aspecto que lá tenha existido. Mas as marcas na estrada, idênticas às marcas com a altura da neve, são impressionantes. Na altura da monção, muitos dos sítios onde passamos estão completamente submersos, com mais de dois metros de água.
Em Ubirr coloquei as perneiras da Monte Campo e fomos fazer dois percursos pedestres; um paralelo ao East Alligator River, onde pudemos ver os morcegos - enormes, do tamanho de coelhos - a dormirem nas árvores de cabeça para baixo e alguns crocodilos que andavam calmamente rio abaixo rio acima.
O segundo percurso foi para ver pinturas rupestres com mais de 6.000 anos; tantas e tão perfeitas como se tivessem sido feitas ontem.
Neste percurso subimos a um ponto elevado e tivemos a percepção da extensão das Wet Land.
Entretanto era hora de almoço, não só para nós!
Voltamos ao local da primeira caminhada para, numa zona em que o rio e cruzado por uma estrada submersa, fazendo uma espécie de barragem, vermos o barramundi - um peixe cinzento com mais de meio metro de comprimento - subir o rio. Ao mesmo tempo que o peixe tenta subir, dezenas de crocodilos e alguns pescadores tentam detê-lo, num autêntico festim.
Assim, como num qualquer rali, centenas de pessoas acomodam-se nas margens, de farnel, "perto da emoção, longe do perigo", a ver a agilidade do réptil a apanhar o peixinho e a ouvir os dentes a esmagar a espinha do dito cujo com a facilidade que nós esmagamos uma bolacha de água e sal.
Da parte da tarde fomos por uma estrada de terra batida até Gubara. A ideia era ver uma espécie de piscinas naturais junto ao Burdulba Creek.
Depois de 9 Km de carro e mais 3 Km a caminhar, chegamos a um sítio deserto, inóspito, que tinha tanta água como o jacuzzi de Airlie Beach. Mas uma areia tão branca, criando um cenário magnífico. A vontade de experimentar aquela água era ais que muita mas havia sinais por todos os lados que podiam haver "olhos de vidro".
Nova caminhada até ao carro, com uma temperatura a rondar os 39ºC, seguindo-se, depois, para Nourlangie.
Nourlangie é um pântano onde andavam centenas de pelicanos, patos, garças e outras aves das mais variadas cores.
Tudo calmo e sereno, com os pelicanos a nadarem todos juntos, formando um grande círculo; os patos andavam em linha.
De repente todos levantam voo e vimos, lá no meio, a boca de um crocodilo a devorar o que se atrasou a dar às asas.
Antes de irmos para Cooinda ainda houve tempo para ver mais aves em Yellow Water. à conversa com um pescador fiquei a saber que na época seca, com a concentração da bicharada nos poucos rios que sobrevivem, quase não há peixe para os humanos; e o controlo dos rangers do parque quanto à quantidade e tamanho do que é pescado é muito rigoroso.
Aqui estamos em Cooinda, a dormir num contentor dentro de um parque de campismo e de caravanas. Não tem a animação do de Uluru nem as condições do de Jabiru; é o que há.
Tal como os crocodilos, jantei barramundi. Grelhado, acompanhado de batata frita, molho tártaro e um Sirah branco. Um peixe seco e duro; se eu fosse crocodilo e tivesse que comer aquilo todos os dias também andava mal disposto e com vontade de, de vez em quando, dar umas dentadas em carne fresca e saborosa.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

11.8.15 - Magnetic Islands | Airlie Beach

As Magnetic Islands são lindas e o acordar foi ao som de imensos pássaros coloridos que povoam o céu das ilhas.
A ilha habitada, onde ficamos, é um rochedo verde, recortado por baías que formas praias de areia branca. O plano era ir a várias praias.
Começamos por Radical Bay e, mal chegado à praia, fui nadar. Aos meus pés, depois de reparar que a areia se movia muito depressa, uma raia. Fui buscar a máscara e pus-me a fazer snorkeling. Uns peixinhos em torno de um rochedo e chegou a hora de irmos para outra praia.
Pela floresta densa, verde, onde passam uns raios de sol, saltamos de praia em praia; ou de baía em baía para ser mais exacto. Do meio da vegetação ouvem-se ruídos rastejantes e saltitantes, fazendo as folhas moverem-se. Não sei se quero saber quem faz estes ruídos.
Com este cenário alcançamos Florence Bay.
Com vegetação até à areia, a tira dourada, com a maré vaza, cria um espelho de água até ao azul do mar.
Voltei a fazer snorkeling porque um coral abriga peixes-borboleta e peixes-papagaio. Uma raia azul e um cardume de peixes-agulha branco.
A baía seguinte foi Arthur Bay.
Para se lá chegar tivemos que cruzar um riacho com uma água meia parada. Viam-se vários buracos que poderiam ser de cobras; não sei se era o sítio ideal para um ataque de um crocodilo. Mas que tinha aspecto disso, tinha.
A Arthur Bay tem uma areia mais grossa que as anteriores e era dificil caminhar lá porque ficavamos enterrados. Nesta baía almoçamos e dormimos uma sesta.
A meio da tarde fomos para a última praia: Alma Bay. Que desilusão. Acesso directo pela estrada, muitas pessoas - umas 30 - baloiços para crianças, relva, salva-vidas.
No guia da ilha dizia que era a melhor praia para snorkeling. Vi um peixito preto mais pequeno que uma sardinha.
No final regressamos de ferry até Townsville, tendo aproveitado a viagem para dormir.
De Townville a Airlie Beach foram 270 km debaixo de um céu estralado.
Amanhã deveríamos ir para as Whitsundays, mas a reserva foi cancelada durante o jantar; por isso vamos para o porto às 6.30 da manhã para ver se arranjamos lugar num barco...




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

10.8.15 - Cairns | Magnetic Islands

Depois do mergulho brutal, da experiência número 1 na viagem, fomos sair e acabamos num bar a beber cerveja e vinho tinto, ao som de uma banda local.
Hoje de manhã levantamo-nos cedo, mas não tão cedo como ontem, e fizemo-nos à estrada.
350 km separavam-nos do paraíso.
Saíndo de Cairns rumo a sul, pela A1, uma estrada nacional onde passam todo o tipo de veículos e cruza várias cidades. Depois de vários locais património universal da humanidade - parques naturais e cascatas - , de vermos o Pacífico do lado esquerdo do carro, de adormecermos vezes em conta, chegamos a uma cidade piscatória chamada Townsville.
Aí esperamos duas horas por um ferryboat que nos levou até às Magnetic Islands.
Durante esse tempo, num curto passeio a pé pelo porto, vi Rotary. O barco de salvamento da guarda costeira tinha o símbolo que nos caracteriza e nos universaliza.
Depois foi uma viagem mar adentro, onde adormeci ao sabor das ondas. Quando cheguei: uáu!!! Lindo lindo lindo.
Uma ilha verde, cheia de vegetação de animais e de vida. Cruzamos a ilha de um lado ao outro, porque o nosso apartamento é em Horseshoebay, do outro lado do porto.
Ao chegarmos, uma rua e meia dúzia de casas, um areal estreito, o mar calmo e um pôr-do-sol fantástico.
Foi dar um mergulho, quase de noite, e a água estava quente.
Da praia, atravessamos a rua e jantamos ostras, camarão, santiaguinhos, calamares; caro, mas tão caro como um peito de galinha e galinhas há muitas!
Para finalizar a noite... quando chegávamos ao apartamento, olhei a recepção e não percebi o que tinha visto: se era um canguru pequeno ou um gato gigante. Perguntei à senhora que estava lá e respondeu-me que era um wallabi. Contei-lhe que estávamos na Austrália há vários dias e que aida não tínhamos visto um canguru.
Fácil, disse ela: " peguem no carro, virem na primeira à esquerda e na segunda à direita. Vão a 5 km/ hora porque eles estão por todo o lado".




quinta-feira, 6 de agosto de 2015

6.8.15 - Sydney | Ayeres Rock

Ontem, depois de vos ter escrito, depois de marcar os mergulhos para Cairns e de uma bela soneca, saímos para nos despedirmos de Sidney.
Destino: Darling Harbour. Um fancy spot, mesmo do outro lado do porto que tem a
Ópera e Rocks.
Deambulamos pela bairro chinês - o jardim já estava fechado - e fomos dar ao porto. Vários barcos de recreio, bom ambiente e muitos restaurantes de bares. Num bar italiano com uma bella ragazza a indicar as mesas e como funcionava o Happy Hour, bebemos vários gins pela metade do preço. Depois disso foi o adeus e o retomar a casa para cozinhar o jantar e fazer a mala para hoje.
Hoje foi tudo a correr, como sempre; até parece que fazemos de propósito para andarmos sempre em cima da hora.
Assim, depois de sairmos tarde de casa, de haver uma indefinição se deveríamos ou não carregar o cartão do metro - não carregamos -, quando chegamos a Central, ouve-se no sistema de som: "Emergency, emergency: please evacuate the station. All passangers" e toda a gente saiu a correr da estação.
"- Vamos de taxi?
- Onde está um taxi?
- Está gente a entrar na estação!
- Vamos de metro."
E lá fomos nós a correr para apanhar o metro para o aeroporto.
O voo, interno, cheio de espanhóis, uns portugueses para além de nós, franceses, alemães, chineses e alguns australianos, teve vários abanicos que o tornaram muito interessante do ponto de vista da adrenalina. A aterragem foi com o avião descompensado devido ao vento, numa pista que parecia a superfície lunar. Love it!
Ayeres Rock tem um aeroporto mais pequeno que a paragem dos autocarros da Batalha. Mas isso não é importante, o importante era aterrar no meio do deserto para ver Uluru, a Montanha Sagrada.
Carregamos o Mitsubishi, decoramos com os logótipos da fluidotrónica, Norfer, eni, Arax Gazzo, Roadgalaxy, Agência Paraíso, Vida Económica, Hama, Monte Campo, Alpinestars, Nau Helmets e Konica Minolta passamos no hostel a deixar as malas - lá se foram os hoteis e apartamentos de luxo -, trocar de roupa - coloquei as perneiras da Monte Campo para poder caminhar à vontade no meio da vegetação sem me picar e sem os bichos me picarem - e rumamos a Uluru.
20 km de estrada de asfalto no meio de uma superfície vermelha, fazendo lembrar Marte, com alguma vegetação rasteira e poucas árvores. Sinais de répteis e outros animais selvagens. Tudo em direcção à montanha adorada pelos aborígenes.
No meio de tudo, como uma nave gigante ou um meteorito, erge-se da terra plana uma montanha vermelha, sem vegetação.
Andamos à sua volta - não se pode subir, é um desrespeito para com os locais - tiramos fotos e vimos o pôr-do-sol nela.
Lindo, maravilhoso. Uma paz, um ambiente, uma sensação que posso igualar ao que vivi em Abu Simbel; daquelas coisas que vou recordar para sempre.
A viagem já valeu a pena.
Tanto que não vale a pena escrever mais nada... até amanhã.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

4.8.15 - Sydney

Um tempo cinzento e frio acolheu-nos hoje em Sidney. A chuva ameaçava e parecia que a Serra da Estrela estava ali ao lado.
Tínhamos previsto ir à praia - mesmo só para ver - mas pensamos que seria melhor fazermos isso amanhã, caso o tempo melhorasse.
Assim, fomos de metro até Kings Cross - o Red Light District cá do sítio - para ver o maior anúncio da Coca-Cola do hemisfério sul - que mania! E, tal como ontem nos correios, tenho sérias dúvidas que aquele outdoorzito seja o maior do sul do globo.
Dali seguimos em direcção ao Parramatta. Chegamos a uma zona muito fancy, atrás do Jardim Botânico e onde está estacionada alguma da frota de guerra australiana. Entre os "barquinhos", com um tamanho colossal, um porta-aviões. Uáu, mesmo ao longe, muito longe, senti-me minúsculo!
Nessa zona, uns antigos armazéns convertidos num hotél e numas casas muito bonitas sobre a água, uma marina com barcos lindos: Sunseeker, Riva, Princess, outrso que não reconheci a marca mas que me encheram as medidas.
Também aí, uma típica roulotte de comida, prateada, com o nome Harry´s. Além de tartes de carne e vegetais, hamburgers e outras especialidades deste género de "restaurantes", centenas de fotografias de pessoas famosas que já lá foram comer. Claro que eu e o João tiramos uma selfie; era a nossa cara!
Cruzamos o Botânico e entramos na cidade, onde os prédios antigos se misturam com os arranha-céus e vão descendo até Rocks.
Passamos por Rocks e subimos à ponte, cruzando-a até à outra margem.
Voltamos a ver a Ópera numa perspectiva diferente e, chegados ao Luna Park, o sol veio até nós.
Tiramos fotos, rimos e apanhamos o ferryboat até à outra margem.
Depois de um gin no Opera Kitchen seguimos novamente até Kings Cross, para ver o Red Light numa perspectiva mais nocturna.
Uma pint, passagem pelo supermercado e estamos em casa a cozinhar.
Amanhã é o último dia em Sidney. Será que vamos a Bondi Beach?!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

3.8.15 - Sydney

Sydney: uma cidade maravilhosa; será efeito do hemisfério sul?!
O dia de hoje foi cheio de conhecimento e coisas novas: começamos por ir à baixa da cidade ver o edifício construído em honra da Rainha Victoria. Imponente como qualquer edifício britânico daquela época, bonito, descaracterizado pelo sítio - ficava melhor em Londres - e recuperado. No seu interior, um centro comercial com grandes marcas internacionais e alguns nichos como galerias de arte, lojas do Tate e MOMA, uma escada em caracol até ao tecto com um porta minúscula a lembrar Harry Potter.
Daí, cruzando Market Street, fomos dar a Sydney Tower e tivemos a oportunidade de subir os seus 309 metros. Lá em cima, uma vista de 360º da cidade, dando-nos a perspectiva real de quem vem do mar, de terra ou do ar. Curiosidade do momento: um marco do correio, mesmo lá em cima, dizendo que é o marco em actividade mais alto do hemisfério sul. Será que nos Andes não há correios?!
Continuando a visita pela cidade, seguimos por um jardim que parecia uma cópia de Oxford para, depois, entrarmos numa rua que nos levava à Art Gallery New South Wales e ao Jardim Botânico.
No museu havia do melhor da primeira metade do século XX, com Picasso à cabeça, Matisse, entre outros.
Aqui, quando tirava uma selfie, uma miúda da escola secundária veio perguntar se eu queria que ela tirasse a fotografia. A minha selfie transformou-se numa selfie com o João e parte da turma do secundário, para riso da professora que as acompanhava.
Finda a visita cultural, um almoço no parque para, depois, caminharmos pelo Jardim Botânico, até à Ópera.
O jardim cresce como uma barreira natural do mar até aos arranha-céus, numa mescla de cor e vida.
A Ópera, projectada por um arquitecto dinamarquês, através de um esquiço e sem projecto de engenharia, com as sua cerâmica branca funciona como um pronto de atracção de luz e energia. Como é que um objecto disforme, brutal na sua concepção, que gerou uma dívida incalculável consegue atrair tanta gente de todo o mundo?!
Da Ópera a Rocks foi um saltinho, ainda a tempo de ver o Museu de Arte Contemporânea antes de jantar. Várias instalações com o título Energies conseguiam colocar o público a interagir com a arte: de auscultadores postos, passando a mão por vários desenhos, estes emitiam ruídos distintos. Ou uma imagem de uma montanha onde podíamos, com a mão, voar como um pássaro e ter muitas perspectivas diferentes.
Quase a terminar o dia, um bem merecido jantar. De entradas comemos vegetais grelhados, atum flambejado e pão com húmus. Como prato principal o ombro de um cordeiro e de sobremesa parfait de chocolate branco e negro e queijo de cabra. A acompanhar, um vinho branco da Nova Zelândia, monocasta Sirah.
Foi caro? Sim, mas aqui não há nada que seja barato...




sexta-feira, 31 de julho de 2015

31.7.15 - Doha | Singapore

Mais um avião, mais uma viagem longuíssima que nos levou de Doha, no Qatar, a Singapura. Cruzamos o Golfo Pérsico, a Índia, o Índico, andamos às voltas por cima da Malásia até aterrarmos em Singapura.
O voo atrasou devido a problemas no avião ao sairmos de Doha - estava a ver que tinha que ir lá fora empurrar para ele pegar! Devido a isso chegamos a Singapura muito tarde e não vimos nada...
Mas antes, durante o voo, dormi, comi, bebi e vi filmes. Comi um filete de peixe com batatas ao pequeno almoço e foram servindo snacks ao longo do resto do dia. Acompanhei tudo com destilados e fermentados.
Birdman, de Alejandro González Iñárritu, com ‎Michael Keaton, conta a história de um homem desesperado. É uma comédia negra a tender para o drama porque, na realidade, retrata a vida de tanta gente.
Depois vi Fury, com o Brad Pitt. Um filme sobre a Segunda Grande Guerra, em que chorei ao ouvir Logan Lerman a tocar piano para Alicia von Rittberg. Não se conheciam, não falavam a mesma língua mas eram novos e estavam vivos, na guerra. A musica uniu-os e passados minutos faziam amor. A guerra matou-a logo a seguir.
Depois revi American Hustler e Indiana Jones antes de receber o ar húmido e quente de Singapura. 
É uma e meia da manhã e chegamos agora ao hotel. Fomos a um Sake Bar onde uns simpáticos empregados nos serviram sashimi, uma espécie de angúlias e um polvo cru muito pequeno. 
Amanhã passamos o dia em Singapura e às duas da manhã voamos para Sydney.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

30.7.15 - Zurich | Doha

Comprimir malas e, com o grupo todo junto - eu vim de Portugal, a Zio de Espanha, a Carmen de Inglaterra e a Ana e o João já estavam na Suiça - iniciamos a viagem.
Primeiro destino: Doha.
Doha é a meio caminho de Singapura e tivemos que fazer escala na capital do Qatar.
Até lá, num avião "global", cheio de indianos, árabes barbudos, mulheres de burca e turistas ocidentais, passei horas a ver filmes, a comer e a beber.
Comecei com o Sean Penn e Javier Barden em The Gun Man, depois revi o Grand Budapest Hotel e os Simpsons. Entre gin, vinho tinto, conhaque e cerveja, comi uma carne de vaca estufada e arroz de pinhões, mais uma quantidade apreciável de chocolates que a Qatar Airlines ia disponibilizando.
Doha, à noite e vista do ar, é uma cidade de arranha céus iluminados, ao melhor estilo de cidades-estado. Também, estou na terra delas!
8 horas no aeroporto, depois de deambular por entre Bentley, Mclaren e MV Agusta, ter ido a algumas fancy stores e ao loung da Oneworld, já me encontro na porta de embarque do voo com destino a Singapura.
Até já!   

segunda-feira, 6 de julho de 2015

4.7.15 - Berlenga

Saindo de Peniche num pequeno barco preparado especificamente para o mergulho, deixamos o forte do lado direito e entramos em mar aberto, em pleno Atlântico, rumando a um dos mais belos lugares de Portugal: a Berlenga.
A vaga era redonda, com metro e meio de altura e o barco saltitava entre as ondas; dando alguma diversão à viagem.
Chegado à Berlenga, fomos direitos ao Primavera - um barco afundado em 1902, carregado de mármore italiano.
A água estava a 17ºC, com excelente visibilidade e, durante 44 minutos, vi a vida que se encontra nas profundezas: Maria da Toca, Marinas, Nudis, Garoupa, Rodovalho, Ruivos, Salemas, Chocos. Tudo numa paz, aparente, tudo vivendo em liberdade na natureza. A 20,1 metros de profundidade, junto à areia e debaixo do que resta do casco do navio, um Safio.
Depois de todas esta actividade foi tempo de vir à superfície, contar as aventuras, trocar as garrafas e voltar a mergulhar.
Desta vez fomos para o spot Relaxe: uma parede junto ao forte de S. João Baptista.
Aqui, além de toda a fauna e flora, dada a baixa profundidade - 9,5 metros - os raios de sol entravam pela água e criavam uma imagem lindíssima das ondas a baterem na rocha.
No final, debaixo de um sol lindo e tendo o mar azul como pano de fundo, observados pelas gaivotas e o corvos marinhos, comemos um farto piquenique, acompanhado de cerveja e muitas estórias que fazem a família do CCD Porto bastante unida. Obrigado por me acolherem entre vocês.

domingo, 5 de julho de 2015

Amizade


Em meados da década de 90 do século passado, ficou célebre uma música do Paulo Gonzo que tinha um refrão que era "ai como é bom assim acordar, com o sol na janela e magia no ar".
Não acordei com o sol na janela e a magia no ar era diferente daquela que o cantor falava na música. Era a magia da amizade.
Directamente da Toscana, recebi uma série de fotografias do Drew, em que figurava o autocolante do blog na sua scooter. Fiquei de sorriso franco, aberto, impossível de conter. Nos pequenos gestos se vêm os grandes amigos. Fantástico!
Agora, contando a história desde o início: como sabem, conheci o Drew e a Chel no Egipto. Foi uma amizade que nasceu no primeiro segundo que nos vimos. O Drew é americano... com todas as costelas portuguesas; a bandeira que me viam empenhar por terras africanas era dele.
Depois de inúmeras aventuras dos Três Mosqueteiros - eu, o Drew e o David, australiano - em cima dos nossos pequenos-pónei, a amizade perdurou. Falamos quase todos os dias, de tudo e de nada.
Quando lancei o Crowdfunding,  o Drew e a Chel foram os primeiros a apoiar a iniciativa e, daí, terem recebido os autocolantes da viagem, um coração especial para eles e inúmeros mapas, postais e brochuras dos sítios por onde passei na viagem pelo Império Austro-húngaro.
Agora,  agora é tempo de ir ter com eles a Itália. Está prometido.


  

quinta-feira, 18 de junho de 2015

18.6.15 - Munique

Chegou ao fim esta aventura, e que aventura!
Mas antes de fazer um apanhado geral, vou contar a noite de ontem e o dia de hoje, em Munique.
No hostel fiquei num quarto com a Laura - argentina -, o Bilal - canadiano de origem paquistanesa - e o Ben, norte-americano. Todos muito faladores, com a Laura em castelhano e com os outros em inglês.
Fui jantar com o Bilal à Marianplatz e estivemos a falar de viagens. O Bilal tem 19 anos e vai trabalhar um mês na Eslovénia. Aproveita as férias para conhecer novas culturas e países, enquanto os amigos continuam no Canadá.
Depois disso voltamos ao bar do hostel para uma prova contínua de Augustina e Franciscana. Aí conheci uns ingleses doidos por Fórmula 1 e fãs do Tiago Monteiro. Conheci, igualmente, um casal sueco e duas americanas. Tudo a falar de viagens, de experiências, recomendando sítios uns aos outros.
Hoje de manhã, como qualquer alemão, comprei o bilhete do metro e andei pela cidade. Podia não o ter feito, visto não haver torniquetes para passar nem  revisores. Da mesma forma, no Museu da BMW, paguei o bilhete e não havia uma porta. Quem quisesse podia entrar.
As estações de metro são muito bonitas, parecendo autênticas instalações de arte; especialmente Müncher Freiheit.
Saí na Universidade e caminhei até Giselestrasse, onde pude ver o Arco de porta de entrada na cidade e, mais à frente, a estátua do WalkingMan.
O Museu da BMW, actualmente, não é bem um museu automóvel. É uma obra de arquitectura vocacionada para o cliente, ou potencial cliente, da marca, contando-lhe uma história de engenharia, design e tecnologia. Antes de entrarmos no Museu somos quase convidados a ir ao espaço BMW onde se encontram todos os produtos do grupo: desde a mais pequena bicicleta com rodinhas para crianças, até ao mais aristocrático Rolls Royce, passando pela família M ou os bonitos modelos de duas rodas. Sem esquecer a Mini e todo o merchandising que lá existe, convidando o fã da marca a utilizá-la nas mais diversas ocasiões: desde a garrafa de água, passando pelas sapatilhas Puma para o jogging, capas para smartphones, malas de viagem, brinquedos, vestuário, etc etc.    
No museu vi carros e motos lindíssimos. Infelizmente não vi nenhum Art Car de competição. Felizmente, e com enorme orgulho, o M3 GTR vencedor das 24 horas de Nurburgring estava exposto, com a bandeira de Portugal e o nome Lamy como primeiro piloto.
Regressei o centro da cidade para subir a uma torre e, ao meio-dia em ponto, ouvir os sinos de Marianplatz.
A despedida de Munique, antes de voltar a pegar no TT, foram umas cervejas e um sandes de joelho de porco com torresmos no mercado.
Neste momento estou no aeroporto de Memmingen e estou prestes a embarcar. Que tal o apanhado da viagem ficar para amanhã? Combinado?!