quinta-feira, 22 de junho de 2017

17.6.17 - Porto | Angra do Heroísmo

Há alguns anos atrás, penso que havia um slogan do turismo dos Açores que dizia algo do género "Açores: férias que nunca esquece". E eu não esqueci as semanas que passei em S.Miguel há muitos muitos anos; e a Joana também não. Por isso, num misto de saudade e aventura, voamos até à Terceira.
Mas nem tudo foi simples: o plano inicial era ir para outra terra verde, cujo nome também começa por A; depois para outra terra igualmente verde mas cujo nome começa por S. E finalmente, com um briefing sussurrado entre portas na Agência Paraíso, em tempo record, surge a hipótese de ir à Terceira,  para um hotel de 5*, logo no dia a seguir. Profissionalismo do mais alto nível!
Tudo a correr: a Joana a vir de Lisboa, o Roças a tentar saber o melhor spot para mergulhar, não havia lugar no parque de estacionamento do aeroporto e lá ao fundo, a mais de 1.500 km de distância, um paraíso. Arranjar lugar para o carro foi fácil, apenas tive que convencer a Raquel e o Bernardo a comerem uma francesinha. E foi fácil!
A partir daí, uns dias a dois.
Ao aproximarmo-nos da ilha, o arquipélago mostra-se por entre nuvens e aterrar nas Lages é como entrar no limbo: verde, com montanhas a separar-nos do mar, e mal a porta do avião abre o calor a entrar e a afirmar que nenhuma aplicação meteorológica funciona por aquelas bandas.  
No parque de estacionamento um simpático funcionário da Aguiatur entraga-nos um Ferrari ( na verdade era um Opel Corsa 1.2 ( ou menos!) mas vermelho como os da marca de Maranello) e rabisca num mapa alguns locais de passagem obrigatória e a ordem para os visitar.
Das Lages rumamos pela via rápida que recorta a serra florida de vacas, até ao nosso destino: o Monte Brasil em Angra.
Mas vá-se lá saber porquê, pelo empedrado da cidade Património da Humanidade,  perdemo-nos algumas vezes e nem um GPS, um mapa e um PSP conseguiram explicar o óbvio; e com isto, estávamos nós com um carro vermelho no meio de uma "tourada de corda", com os populares a gritarem "saiam que vem aí o touro". O que vale é que a tourada e onde nos encontrávamos era mesmo ao lado do hotel.
Foi tempo de descarregar as malas, receber as chaves do quarto, mirar a marina e o Monte Brasil a erguer-se sobre o quarto e voltar para a rua para ver a dita tourada.

Encorajados pelo álcool, bravos fazem-se ao touro e dançam à sua frente com chapéus-de-chuva coloridos. Ouvem-se gritos, aplausos, português com vários sotaques e americano. Foguetes indicam se o touro vai sair e entrar nas boxes improvisadas.
Toda a ilha está ali, naquele largo de igreja perdido no tempo, do novo ao velho, do rico ao pobre. É uma festa e a festa é de todos e para todos. Viver nas aldeias tem esse vantagem: todos estão próximos e todos se protegem, todos se divertem e todos também choram quando assim tem que ser. E o povo açoreano já chorou muito e já demonstrou ter muita coragem.

De mini na mão e petiscando aqui e ali, vejo a Joana a meter conversa com um velho sindicalista da STAL que quis falar do melhor da ilha. E nós escutamos com toda a atenção.
Com o sol a deitar-se sobre as águas do Atlântico, foi tempo de dar uma volta a pé pela cidade, ver os barcos, beber um copo e esperar que a meteorologia se volte a enganar no dia seguinte.



 

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