quarta-feira, 27 de março de 2019

22.3.19 |24 .3.19 - Rigi | Stoos | Titlis

Quando o frio é cristalino, o céu torna-se muito azul e a neve reflecte os raios de sol, sorrio; lembro-me da minha juventude, de todas as aventuras e desventuras por essas montanhas fora e desejo deslizar a alta velocidade em parabólicas tangenciais.
Uma skitrip, uma escapadinha de três dias, organizada pela Agência Paraíso, teve como destino a Suíça: além de ser um país que adoro, é o paraíso europeu para os amantes de desportos de neve.
A base de toda a operação foi a estância termal de Baden, em Zurich, o que me colocava a pouco mais de meia hora das estâncias em torno do Lago de Lucerna, ou Lago dos 4 Cantões. O Toyota Rav4 foi o bolide das viagens e, durante 400 km, devido ao sistema hibrido, não vi o ponteiro da gasolina baixar; e nem por isso deixe de andar rápido e me divertir no carrocel alpino!
Rigi, Stoos e Titlis, os pontos altos da viagem – literalmente! Uma mistura de estancias fancy, excelentes acessibilidades e neve no seu estado mais puro.

Rigi parere tirado de um filme dos anos 60 da cinecittá: um monte com floreste e o lago ao lado, casinhas que o telhado assume uma cobertura branca como se de um bolo se tratasse. Para se chegar ao topo da estância, uma grande cabine ou o comboio que sobe lentamente pela paisagem idílica. Usei os dois!
Senti-me o Ralph Fiennes em The Grand Budapest Hotel. Foi um retorno ao passado, cristalizado pela neve.
Uma estância indicada para férias em família, onde o nível de ski não é muito exigente e as diversões e as paisagens são muitas.
Stoos foi a estância!

Para se lá chegar usa-se um misto de cabine/ comboio/ elevador que sobe case na vertical, num túnel escavado na rocha e que, aos poucos e poucos, vai desvendando um paraíso natural de pistas rápidas – só vermelhas e pretas -, em duas vertentes da montanha.
Para animar a coisa, estava a decorrer uma prova do campeonato nacional suíço de ski alpino e as estrelas e as promessas olímpicas, andavam por lá.
A estância era pequena para tantos egos e eu bati-me afincadamente por tentar impressionar. E impressionei! A mim mesmo: eles andam mais depressa as curvas do que eu a direito; um treinador, carregado de botas e skis às costas ultrapassou-me como uma bala. Parei e fiquei a ver a prova. A observar, a aprender.

Durante três dias só caí duas vez es e foram aqui: uma porque ia depressa demais e travei tarde em cima de uma lomba, saindo projectado de lado, montanha a baixo. Outra por que estava cansado e, mesmo devagar, as pernas já não queriam colaborar.
Na queda a sério, com a inércia, levantei-me logo apesar de ter zurrado no chão com o cotovelo e o ombro. Foi o Alpinestars que me deu todo esse conforto! A tecnologia das motos usada no ski tem essa vantagem: um casaco quente, leve, com protecções nas costas, ombros e cotovelos. E giro!!
No fim do dia, umas cervejas com os campeões e a natural troca de estórias entre os desportos de neve e as corridas de automóveis.

Para último lugar ficou Titlis: glaciar a mais de 3.000 metros de altitude, com a sua torre metálica, joia da coroa da Suiça central, ponto turístico de “visita à neve”: eram às centenas os indianos e chineses, vestidos com a calça da moda e o sapatinho de pele, sem meia, alguns de gravata posta e encasacados com tudo o que compraram nas lojas mais in de Zurich, Luzern e afins, a subirem na cabine redonda panorâmica, pintada de vermelho e com a cruz branca, de selfie stick em punho, para verem a neve.

Ao chegarem, o atrito entre a sola de couro e a superfície gelada provocava, a maior parte das vezes, tombo certo. Certamente mais uma recordação para levarem para a longínqua casa.
As pistas, apesar de vermelhas e pretas, não eram tão desafiantes como as do dia anterior e o sol primaveril convidava a tirar a roupa e a aproveitar os raios luminosos.
Depois de conhecer praticamente todas as pistas da estância, foi tempo de um rüsti e cerveja. Muita cerveja e estórias de vinte anos de ski: as pessoas, os tombos, vidas de quem cresceu com o gosto pelo frio e pela velocidade.

Relembrar a melhor queda, a melhor estância com visibilidade zero, os saltos, viagens a cruzar o centro de Espanha que pareciam eternas, entrar nas discotecas com o camelback por baixo da camisa e atestado de vodka laranja; o manto estrelado sobre as montanhas e a paz de espírito.
Um hino à amizade!

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