quarta-feira, 19 de novembro de 2014

19.11.14 – Abo Simbel | Aswan

O percurso de hoje foi o inverso do de ontem, com uma paisagem similar: uma imensidão de água e, depois, o deserto profundo.
Fizemos uma média pior porque o muito vento lateral que sentimos obrigou-nos a uma paragem extra para reabastecer. Fora isso, nada a assinalar.
A espectacularidade do dia foi o amanhecer. Acordei mais dedo, às 4:45 para ir engolir o pequeno-almoço e poder ver sol nascer no Sudão e erguer-se no lago Nasser. Não tenho palavras para descrever a imensidão de tudo isto!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

18.11.14 – Aswan | Abo Simbel

Mais uma tirada rumo ao sul, a última; depois será para retornar a Norte, rumo ao Cairo. Estamos a 3 km do Sudão, fica do outro lado do lago.
Percorremos a quinta etapa e passamos o marco simbólico do “meio da prova”. Uma etapa que foi feita na estrada que liga o Egipto ao Sudão, alternando com o tórrido e ventoso deserto e as paisagens verdejantes do Nilo.
Rodei sempre no grupo de frente –agora ainda mais, depois do acidente de ontem – mas optei por uma toada regular. Um pequeno percalço fez-me parar e, depois disso, tive que andar depressa para apanhar o grupo antes do reabastecimento.
O vento era tanto que, sem ter ninguém com quem fazer cone de ar, não conseguia ultrapassar os 110 km/h. Mesmo assim alcancei-os!
Abo Simbel e o Nilo, um templo mundial e o maior rio do mundo, são de cortar a respiração. É noite e o céu está todo iluminado por milhões de estrelas e cometas que passam a grande velocidade: vão-me acompanhar até amanhã.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

17.11.14 - Marsa Alam | Aswan

Hoje começou a verdadeira aventura e começaram os percalços; 345 km muito duros. Para quem pensa que o Cross Egypt Challenge é um passei pelo país, engana-se redondamente.
Logo de manhã, na primeira tirada antes do reabastecimento, decidi ficar para trás para poder apreciar pela última vez o Mar Vermelho e os fabulosos barcos que por ali proliferam. Ia mais descansado.
O pior foi quando viramos para o interior, onde foi sempre a subir para um planalto. Como parti atrás comecei a apanhar pilotos mais lentos e em estradas péssimas é complicado ver e ultrapassar.
Logo no primeiro reabastecimento tivemos um reagrupamento porque um piloto peruano caiu e magoou-se no ombro. Estivemos a aguardar que chegasse outra ambulância à caravana porque a que estava ao nosso serviço foi utilizada.
Depois partimos em direcção a Aswan, com mais duas paragens programadas. Infelizmente foram mais.
Começando a descer o planalto, por uma estrada má, com a paisagem edílica e bucólica do deserto, dando lugar a umas pequenas aldeias com gente pobre e vacas e burros raquíticos. Nada mais. Poucos quilómetros mais à frente, de repente, parece que entramos noutro país, tal era a quantidade de campos verdes. Aproximávamo-nos do Nilo. A quase 1.000 km da sua foz, tem uma imensidão poderosa.
Cruzamos Edfu - quase uma metrópole – e sente-se África a entrar pelos olhos e narinas. Aqui a Denise teve um pequeno acidente e magoou-se no cotovelo.
Pouco depois, já fora da cidade, novamente no deserto, novo reagrupamento porque havia gente dispersa pela cidade e outras complicações. Passaram carros da organização a alta velocidade e uma ambulância com alguém de camisola com mangas amarelas. A "Foreign Legion" perdeu um membro.
A “ Foreign Legion” foi um grupo que apeliddamo, onde estou eu, um americano, um australiano, um canadiano e uma simpática mexicana.
Ficarmos s
em saber notícias da nossa companheira de aventura quebrou o ritmo e o espírito. Conhecemo-nos há apenas cinco dias mas, desde então, todos convivemos quase 19 horas por dia; os nossos pensamentos estão com a ela.
Depois disso foram 180 km intermináveis até Aswan.

domingo, 16 de novembro de 2014

16.11.14 – El Gouna | Marsa Alam

Continuamos a viagem rumo a sul, entre a serra e o Mar Vermelho.
Passamos por uma série de vilas onde se respirava miséria. Percebemos que estávamos em África.
Numa dessas vilas, em que se tinha uma espécie de fronteira, devem ter avisado o Presidente da Câmara de lá do sítio que íamos atravessar a vila. Tivemos que parar em frente ao edifício onde ele trabalhava para bebermos água e ouvir um discurso em árabe. Simpático de sua parte, penso que estaria a felicitar-nos e a desejar boa viagem.
No meio do deserto, igualmente decrépitos, dois quarteis militares. Carros enferrujados, prédios quase em ruínas e, num deles, um Hummer que fazia lembrar outras guerras.
A estrada era estreita e estava em mau estado. Fiz muitos quilómetros de pé, em cima da scooter, para proteger as costas das pancadas dos pequenos saltos. Diverti-me mas fiquei com os pulsos com o dobro do tamanho.
Mais uma vez a etapa terminou cedo e fui recuperar os pulsos no Mar Vermelho, caminhando mar dentro muitas centenas de metros até uma barreira de coral. Aí a água era agitada a profundidade passava de 80 cm para 20 metros. O Drew – um médico americano – e outros com licença de mergulho, avançaram num barco. Eu voltei a terra seca para a companhia do Lobo Antunes.

sábado, 15 de novembro de 2014

15.11.14 - Eln Sokhna | El Gouna

Finalmente o deserto!
Mas primeiro o a fase inicial: o início do percurso foi por uma estrada estreita e encadeada mas com curvas que se podiam fazer depressa. Entre a serra e o mar o percurso foi muito giro. Depois rumamos a sul.
Ontem todos diziam que esta zona era como a Riviera francesa, nesse local passamos por um resort com o nome pomposo de Cancun; contudo, parecia mais o Portugal de Sócrates: numa paisagem magnífica, entre serra, planície e mar, só se viam ventoinhas.
Rumando a sul o percurso foi muito rápido, acompanhando um pipline e linhas de alta tensão. Entramos no deserto e o vento quente e forte fez-se sentir.
Na fase final começamos a ver o Mar Vermelho, bastante azul-esverdeado, por sinal, e terminamos a etapa num fantástico resort em El Gouna.
Ainda era uma da tarde e, por isso, o mar foi a minha companhia e refúgio até as quatro. Agora já posso dizer que mergulhei no Mar Vermelho!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

14.11.14 - Alexandria | Eln Sokhna

Começou a aventura. Até aqui tinham sido dias de preparação, perspectiva e, depois da chegada ao Egipto, uma rápida adaptação ao povo egípcio e à diferença horária.
Hoje começou a sério. E começou com um atraso de hora e meia.
A saía de Alexandria foi pelas salinas para, depois, entrarmos numa estrada com pedra solta e afiada; onde tive o receio de cortar algum pneu. Felizmente nada disso aconteceu.
Depois tomamos a Desert Road rumo ao Cairo. Nos quase duzentos quilómetros que separam Alexandria do Cairo, pela estrada do deserto, deixei cair dois mitos: o primeiro é que o deserto é bastante ocupado. O segundo é que, naquela zona, tinha vegetação qb.
A viagem até ao Cairo, numa estrada rápida e com longas rectas deu-me sono e perdi a concentração algumas vezes. Contudo, chegado à metrópole egípcia, tive que cruzar o trânsito a grande velocidade, o que voltou a colocar a adrenalina em níveis “normais”.
O segundo atraso do dia deu-se quando, numa estrada que é controlada pelos militares, não nos deixaram passar. Uma hora de conversações e depois disso, pudemos seguir viagem. A partir daí a polícia acompanhou grande parte do percurso, excepto no almoço: koshary servido no meio do nada.
Com tudo isto chegamos a Eln Sokhna e ao Mar Vermelho quase de n
oite.
Amanhã o percurso é entre o mar e a montanha. Promete!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

13.11.14 - Alexandria

O dia de hoje foi longo. Não tão longo como os que aí vêm mas cansativo: a partir das onze da manhã tivemos reuniões para conhecermos os procedimentos de segurança, o percurso, o tipo de terreno, como se reabastece e todas essas informações que nos vão ser bastante importantes durante a viagem.
Antes disso, acordei às 7:15 ( 5:15 aí em Portugal) para ir ao pequeno-almoço/ reunião do Rotary de Alexandria. Quando lá cheguei, às 8 em ponto, disseram-me que tinha sido às 8… de ontem! Fui para a cama.
Voltando ao Cross Egypt Challenge, depois de todas as reuniões, entre as 11 e as 17 no hotel, seguiu-se um jantar sensaborão. Quase toda a gente a dormir. Não vi a cidade, mal vi o sol.
Mas depois, a grande surpresa: o evento de lançamento.
Uma coisa hollywoodesca, com bandas a actuarem, a Miss Egipto a fazer a apresentação, um ministro presente, vários canais de televisão, estradas fechadas para nós passarmos. Fomos tratados como autênticas estrelas rock, as pessoas acotovelavam-se para tirarem fotos connosco e pedir autógrafos.Dei 3 ou 4 entrevistas para a TV e um jornal. Fantástico, os egípcios adoram a aventura e mostram-se muitos hospitaleiros.