Como vai ser o Cross Egypt Challenge 2015? Curioso?
Veja o video que Alex Chacon fez da edição de 2014. João Rebelo Martins é um dos protagonistas.
No ano passado, quando fui fazer o Cross Egypt Challenge, adorei (muito!) nadar no Mar Vermelho. Não é um "continente a visitar" mas é um spot no mapa, num local emblemático e de grande beleza que separa África da Ásia. Tivemos três etapas que terminaram na praia e, antes do sol se pôr, era obrigatório colocar os pezinhos na areia.
É sexta-feira e daqui a pouco saio do escritório da Loba.
Com tudo marcado para Agosto: Singapura, Austrália e uns dias na Suiça, há que pensar no que fazer antes e depois.
Hamburgo é uma cidade fantástica, no verdadeiro termo de cidade e de fantástico. Não fica atrás de outras cidades mundiais, misturando a sua pomposa idade com a arquitectura moderna, dando-lhe uma robustez, uma vida, que nem todas se podem gabar. Uma cidade de piratas que se reproduz a cada dia!
A vista sobre o porto, muito industrial, muito mecânico, marítimo, como qualquer grande plataforma deve ser, ao entardecer, com um sol avermelhado a reflectir nos edifícios de tijolo e vidro, deu-lhe uma atmosfera única, sendo difícil de igualar. A seguir à cerveja do jantar ainda se seguiu outra, lá no Blockbraü; depois disso, foi tudo em St. Pauli.
Fui a uma sexshop muito fancy, muito fashion, com máscaras dignas do melhor carnaval de Veneza e corpetes a lembrar Marie Antoinette. Ao lado, uma galeria de arte com quadros de vários autores que retractavam cenas de sexo. Turistas e mais turistas, de várias origens do globo e, notava-se, com várias vivências da coisa.
Depois desta “aventura sexual”, a única, devo dizer, fui a um bar que se chamava “Indian Cowboy”, que estava cheio de obras, guitarras e posters a lembrar hard rock. A banda que estava no palco tinha um aspecto de pessoal com meia-idade a viver os seus tempos de juventude: t-shirts da Harley, botas cardadas, lenços na cabeça, óculos de sol, brincos, tocando em Fender. A música? U2, Eagles e mais uns hits comerciais. De facto, o pessoal que gosta muito de Harleys tem uns gostos um pouco duvidosos; right Drew?!
Ao final do dia de ontem, uma vez mais, fui dormir uma sestinha e depois jantar.
Ao contrário do que tem sido hábito, hoje a chuva brindou-me e, por isso, a viagem foi bastante molhada. Antes de sair do hostel vesti o fato de chuva para não ficar encharcado. Parecia um chouriço mas, pelo menos, estava seco.
Com a chuva e, sobretudo, com o muito vento que se fez sentir – cheguei a andar quase a 45 graus em plena auto-estrada – tive que alterar o plano de viagem. Assim, em vez de ir por Odense e cruzar a maior ponte da Europa ( é o que dizem, mas eu desconfio sempre quando me dizem “ a maior qualquer coisa” ou “o melhor do mundo” ), fui por Rodji, poupando 140 km e podendo evitar complicações de maior. Ou seja, o percurso de sexta-feira. Nas corridas sempre soube que para ganhar é necessário terminar; aqui, para poder escrever as aventuras no final do dia, descansado, no hotel, tenho que chegar bem até ele. Por isso, em nome da segurança, alterei a rota.
Ontem , depois de ter escrito o texto, ter dormido uns minutinhos e tomado banho, saí para jantar. Fui para uma esplanada mas, com o passar do tempo, o frio foi aumentando e, então decidi sentar-me no interior, ao balcão. Na parede, o cartaz dos 1000 km de Barcelona de 1971, com a silhueta de um 917. O empregado disse-me logo que era grande fã de corridas e que tinha dois Peugeot 205 para ir aos track-days. Não é difícil de imaginar que ficamos a falar grande parte do jantar.
Hoje, uma vez mais o sol decidiu aparecer de manhã cedinho e cheio de energia.
Subi à torre do castelo e tive a percepção da importância do controlo do mar - a Dinamarca está à vista, a apenas 20 minutos de barco - desde tempos antigos.
Pequenas praias, muitos veleiros, vilas com casas bonitas e que se enquadravam na paisagem. Pelo estilo das casas, a localização e a quantidade de Aston Martin, Porsche e Ferrari com que me cruzei, facilmente reparei com estava numa zona luxuosa, muito fancy. Mas não era pretensiosa ou opulenta.
Cheguei a Copenhaga e fui ao hostel, mesmo no centro, deixar a moto e trocar de roupa. Novamente deambulei pela cidade, vendo o que ainda não tinha visto: a estátua da sereia, David, de Miguel Ângelo, o Museu de Design, e mais umas ruelas que me pareceram interessantes.
Ontem à noite ainda me aventurei por uns bares tipicamente dinamarqueses, fora da zona turística. Mas a noite acabou no bar do hostel, enre cervejas, à conversa com a Laura - colombiana e professora de ciências sociais - e com o recepcionista, que tinha cara de miúdo mas já tinha vivido 18 meses de mochila às costa pela Ásia.
Hoje o sol acordou para nos fazer sorrir. Apesar do frio, os raios dourados sabem muito bem, tornando a viagem muito mais agradável.
Com isto, de sorriso de orelha a orelha, cheguei a Malmo. Que agradável surpresa: a cidade é muito mais interessante do que algum dia poderia imaginar.
Daí segui para o centro. Uma mistura de construções antigas, de tijolo, com o vidro e aço moderno das companhias de navegação e das grandes consultoras.
O hostel de Hamburgo, além de ser nos arrabaldes, tinha um beliche com uma colchão horrível. Tinha colocado o despertador para as sete e às cinco já estava a acordar...
Foi a sua dimensão que chamou atenção de um grupo de alemães que viajava para a Suécia, nas suas Maxi-Trail. "Não é muito pesada?"; deixei-a cair, parado, no Ferry e eles ajudaram a levantar podendo, desde logo, avaliar se era pesada ou não. Com isso arranjei companhia na viagem até Copenhaga.
Pouco tempo depois de passarmos a fronteira a chuva apareceu e rapidamente deu lugar a saraiva. Um dos alemães saiu disparado pela berma da autoestrada quando tentava travar a moto. Foi um sinal e tempo de vestir o fato de chuva.
O holtel, em comparação como de ontem é um hotel de cinco estrelas. Deixei lá a moto e fui descobrir a pé o centro de Copenhaga.