quarta-feira, 17 de agosto de 2016

17.8.16 - Laxe | Punta Nariga | Malpica | Coruña | Mera | Prioriño | Cabo Prior | Meirás | Cedeira | Cariño




Apesar da chuva que me fez trocar o casaco laranja - com o qual me sentia um Mitch das motos - por um preto da linha Tour Tech da Alpinestras, apesar do Manolo, simpatiquíssimo me ter feito atrasar ainda mais a saída de Laxe, apesar de começar a pensar que a N222 não deverá ser a estrada mais bonita do mundo, o dia correu pelo melhor. Estou felicíssimo, instalado num hotel em Cariño.
E porquê?! Vão já perceber porquê; mas penso que ter tirado pela primeira vez a cadeira da embalagem e ter almoçado umas ovas de bacalhau fenomenais, ali quase no virar do Atlântico para o Cantábrico, poderá ter muito a ver com a coisa.
Acordei cedo para escrever o dia de ontem tarde para começar a viajar. Pensava que tinha perdido as chaves da garagem da moto e afinal estavam no bolso de trás das calças. O Manolo, do mais simpático que há, quis tirar fotos comigo e com a moto, fazer um vídeo e ainda me ofereceu uma t-shirt a dizer “ De Puta Madre, Manolo”.
Com tudo isto e a estrada a apresentar aquele visco típico das primeiras chuvas levou-me a pensar “ Zé Carlos faz atenção que isto hoje não vai correr bem”.
De Laxe segui pela estrada para Malpica e, algures a meio, segui por uma estrada no meio de uma aldeia de agricultores em direcção a Punta Nariga. No meio da vegetação rasteira da montanha cortada pelo vento, um farol lindíssimo, em que o arquitecto se preocupou em criar imagens de animais, dependendo do ponto de vista de cada um.
Dali avistei até Punta Roncudo, para sul, e as Ilhas Sisargas, a norte.
Com o vento a estrada começava a secar e até Malpica, rolei sem problema algum. Do alto da Ermida de San Adrian avistei as Ilhas Sisargas mas não consegui vislumbrar o farol. Do outro lado, uma praia de sufistas e a feiura pensada de Malpica, dando um colorido especial à baía.
De Malpica a Coruña tentei ir o mais rápido possível, com estrada boa e seca, para tentar recuperar tempo perdido. Melhor dito melhor feito e foi com satisfação que vi a Torre de Hércules erguer-se no céu, poderosa, como se o interior fossem escadas enormes que expandem as travessas para o exterior.
Tirei fotos na Rosa-dos-ventos e, com os binóculos, observei os faróis de Mera e o Cabo de Prioriño Grande.
Assim, saí da Coruña e fui directo a Mera que, com os binóculos, parecia muito mais perto do que na realidade foi. E o farol também me pareceu mais bonito atrás das lentes!
Quando ouço alguém falar do Ferrol penso na mãe a contar que quando lá foi, em frente À estátua do Franco, lhe diziam “ un caballo em cima de outro caballo”. Pois bem, passei no Ferrol e nem entrei na cidade. A manina da portagem perguntou para onde eu ía e disse-me logo o caminho a tomar e assim fiz.
Ao lado de um enorme porto de asfalteiros fica o Cabo de Prioriño Grande. E foi la que eu disfrutei da paisagem refastelado na minha cadeira, como se de um posto de observação avançada se tratasse. Que bem me soube!
Ali, pela primeira vez, não tinha ninguém a quem perguntar as direcções para Cabo Prior e no mapa não dava para perceber o caminho. Então liguei o GPS – sim, para manter a sanidade mental numa viagem a solo, tento falar com as pessoas e perguntar direcções é uma forma de contacto. Se for sempre a ouvir a mocinha do GPS e não falar, já nem saberia articular palavras.
Do Cabo Prior, com os binóculos, avistei uma agradável surpresa: o farol de Meirás, que não vinha no mapa. Melhor ainda, chegado lá, tinha que fazer uma incursão fora de estrada para melhor capturar o farol na lente da objectiva.
Rumei a Cedeira que deveria ser o último farol do dia. Uma vila lindíssima, como todas por onde tenho passado, e uma estrada de montanha, por uma floresta de pinheiros, abetos e carvalhos que me levou até ao farol.
Na placa pareceu-me ver 1,7 km e eu com a moto na reserva. 4 km no total e teria gasolina. O pior foi que a placa dizia, efectivamente 7,7 km, com uma subida íngreme que me levou a pensar várias vezes: o que vale é que para baixo é a descer.
Chegado ao topo da subida, uma ligeira recta para, depois, um carrossel de curvas até ao mar que desembocavam no portão do farol. Louco!
Pena que desci com a moto desligada para poupar gasolina e ao subir, voltei a rezar a todos os santinhos para que não faltasse nem uma gota. Não faltou!
De novo em Cedeira, com a moto atestada de gasolina e o sol ainda por se pôr, decidi rumar a Cariño para ver o farol do Cabo Ortegal.
Que maravilha, a melhor decisão da viagem: a estrada por onde vim tinha o asfalto perfeito, cabendo carro e meio. Curva contra curva, montanha acima, entre uma floresta digna desse nome o sol a deitar-se lentamente no mar.
Fazer a estrada de Cedeira para Cariño seguindo a rota dos miradouros deveria ser obrigatória: para as pessoas comuns terem o prazer de ver aquelas paisagens.
Para os senhores do Ministério da Agricultura, Ministério da Administração Interna e Ministério da Defesa perceberem como se faz prevenção de incêndios: passei por floresta e por eucaliptais; nos eucaliptais, nestes de hoje ou outros que, escassamente, vi na viagem, havia vestígios de incêndios. Na floresta - de pinheiros, carvalhos, arvores rasteiras, castanheiros – haviam vacas, bois, cavalos, ovelhas e certamente outros animais que não tive o prazer de presenciar. A floresta estava limpa e não havia nenhum vestígio de incêndio. Provavelmente aqui preferem gastar dinheiro com pastores o ano inteiro, em vez de proporcionarem números acrobáticos com aviões russos, canadianos ou de outra qualquer origem, durante o verão.
Com o sol baixinho cheguei ao Cabo Ortegal. Maravilha, como diz um amigo meu.
Estou em Cariño, num simpático hotel com o nome de … Cabo Ortegal.
Vou jantar, vou lavar camisas e decidir o que faço amanhã.






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