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terça-feira, 4 de agosto de 2015

4.8.15 - Sydney

Um tempo cinzento e frio acolheu-nos hoje em Sidney. A chuva ameaçava e parecia que a Serra da Estrela estava ali ao lado.
Tínhamos previsto ir à praia - mesmo só para ver - mas pensamos que seria melhor fazermos isso amanhã, caso o tempo melhorasse.
Assim, fomos de metro até Kings Cross - o Red Light District cá do sítio - para ver o maior anúncio da Coca-Cola do hemisfério sul - que mania! E, tal como ontem nos correios, tenho sérias dúvidas que aquele outdoorzito seja o maior do sul do globo.
Dali seguimos em direcção ao Parramatta. Chegamos a uma zona muito fancy, atrás do Jardim Botânico e onde está estacionada alguma da frota de guerra australiana. Entre os "barquinhos", com um tamanho colossal, um porta-aviões. Uáu, mesmo ao longe, muito longe, senti-me minúsculo!
Nessa zona, uns antigos armazéns convertidos num hotél e numas casas muito bonitas sobre a água, uma marina com barcos lindos: Sunseeker, Riva, Princess, outrso que não reconheci a marca mas que me encheram as medidas.
Também aí, uma típica roulotte de comida, prateada, com o nome Harry´s. Além de tartes de carne e vegetais, hamburgers e outras especialidades deste género de "restaurantes", centenas de fotografias de pessoas famosas que já lá foram comer. Claro que eu e o João tiramos uma selfie; era a nossa cara!
Cruzamos o Botânico e entramos na cidade, onde os prédios antigos se misturam com os arranha-céus e vão descendo até Rocks.
Passamos por Rocks e subimos à ponte, cruzando-a até à outra margem.
Voltamos a ver a Ópera numa perspectiva diferente e, chegados ao Luna Park, o sol veio até nós.
Tiramos fotos, rimos e apanhamos o ferryboat até à outra margem.
Depois de um gin no Opera Kitchen seguimos novamente até Kings Cross, para ver o Red Light numa perspectiva mais nocturna.
Uma pint, passagem pelo supermercado e estamos em casa a cozinhar.
Amanhã é o último dia em Sidney. Será que vamos a Bondi Beach?!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

3.8.15 - Sydney

Sydney: uma cidade maravilhosa; será efeito do hemisfério sul?!
O dia de hoje foi cheio de conhecimento e coisas novas: começamos por ir à baixa da cidade ver o edifício construído em honra da Rainha Victoria. Imponente como qualquer edifício britânico daquela época, bonito, descaracterizado pelo sítio - ficava melhor em Londres - e recuperado. No seu interior, um centro comercial com grandes marcas internacionais e alguns nichos como galerias de arte, lojas do Tate e MOMA, uma escada em caracol até ao tecto com um porta minúscula a lembrar Harry Potter.
Daí, cruzando Market Street, fomos dar a Sydney Tower e tivemos a oportunidade de subir os seus 309 metros. Lá em cima, uma vista de 360º da cidade, dando-nos a perspectiva real de quem vem do mar, de terra ou do ar. Curiosidade do momento: um marco do correio, mesmo lá em cima, dizendo que é o marco em actividade mais alto do hemisfério sul. Será que nos Andes não há correios?!
Continuando a visita pela cidade, seguimos por um jardim que parecia uma cópia de Oxford para, depois, entrarmos numa rua que nos levava à Art Gallery New South Wales e ao Jardim Botânico.
No museu havia do melhor da primeira metade do século XX, com Picasso à cabeça, Matisse, entre outros.
Aqui, quando tirava uma selfie, uma miúda da escola secundária veio perguntar se eu queria que ela tirasse a fotografia. A minha selfie transformou-se numa selfie com o João e parte da turma do secundário, para riso da professora que as acompanhava.
Finda a visita cultural, um almoço no parque para, depois, caminharmos pelo Jardim Botânico, até à Ópera.
O jardim cresce como uma barreira natural do mar até aos arranha-céus, numa mescla de cor e vida.
A Ópera, projectada por um arquitecto dinamarquês, através de um esquiço e sem projecto de engenharia, com as sua cerâmica branca funciona como um pronto de atracção de luz e energia. Como é que um objecto disforme, brutal na sua concepção, que gerou uma dívida incalculável consegue atrair tanta gente de todo o mundo?!
Da Ópera a Rocks foi um saltinho, ainda a tempo de ver o Museu de Arte Contemporânea antes de jantar. Várias instalações com o título Energies conseguiam colocar o público a interagir com a arte: de auscultadores postos, passando a mão por vários desenhos, estes emitiam ruídos distintos. Ou uma imagem de uma montanha onde podíamos, com a mão, voar como um pássaro e ter muitas perspectivas diferentes.
Quase a terminar o dia, um bem merecido jantar. De entradas comemos vegetais grelhados, atum flambejado e pão com húmus. Como prato principal o ombro de um cordeiro e de sobremesa parfait de chocolate branco e negro e queijo de cabra. A acompanhar, um vinho branco da Nova Zelândia, monocasta Sirah.
Foi caro? Sim, mas aqui não há nada que seja barato...




domingo, 2 de agosto de 2015

1.8.15 - Singapore

Há uns anos tive um convite para vir fazer uma corrida de kart a Singapura. Ainda não se falava da F1 nem da Marina Bay, dois projectos conjuntos. Mas a corrida estava interligada porque era um daqueles eventos paralelos que servem para colocar um produto no mindset dos consumidores.
Não vim.
Desde então tive vontade de descobrir esta cidade no meio do Índico e do Pacífico, a Nova Iorque do oriente.
Singapura amanheceu cinzenta, apesar do calor e humidade; uns pingos de chuva ameaçavam cair mas ficaram-se pela ameaça.
Saímos do hotel e depois de uma breve paragem no Starbucks - não consigo gostar daquilo - começamos uma volta pela cidade.
Primeiro destino: China Town.
Entre arranha-céus novos, brilhantes, com o seus metais e vidros lustrosos, com nomes no topo como JP Morgan, UBS, Merrill Lynch, entre muitos outros, encontra-se o coração de Singapura, as poucas casas da origens da cidade e que ainda conseguem escapar à fúria imobiliária.
Um bairro apertado com ruas de comércio e de restauração, centros de massagens, pavilhões chineses e casas Art Déco, templos budistas, mercados com toda a espécie de cogumelos, peixes, insectos e afins, secos para fins medicinais ou gastronómicos.
Entrei num templo e assisti a uma cerimónia budista. Por respeito imitava os gestos das outras pessoas e não pode deixar de escutar os cantos e orações dos monges, os toques dos vários bongos e sinos, numa atmosfera exótica dado os dourados e o intenso cheiro a incenso.
Colares e pulseiras budistas à venda a partir de 150 dólares; ainda bem que não são uma religião dada a bens materiais!
Comprei uma idêntica, na rua, por 8 dólares. Não está benzida mas para um ateu.. "who cares?!"
De China Town seguimos para Clark Quay, uma zona mais turística, com imensos bares e restaurantes junto ao rio. Cruzamos várias pontes e, pelo meio, a Ana deixou cair a tampa da máquina fotográfica à água. A simpatia e perseverança ibérica e 10 dólares fizeram a tampa voltar à margem.
Seguindo pelo Parlamento fomos dar à Cavenah Bridge e ao Hotel Fullerton, continuando até à Marina Bay para ver o imponente edifício - um "barco em cima de três torres" - o leão que simboliza Singapura e almoçar.
Por falar em almoço, foi no Pelicano: peixinhos fritos e ameijoas acompanhadas de cerveja. O quíntuplo do preço de outros sítios e metade do sabor.
Depois de almoço rumamos ao Zoo de Singapura, quase na fronteira com a Malásia. Estando o Zoo em 64 hectares de floresta tropical, a ideia criada é que os animais vivem em liberdade, já que estão - muitos deles - no seu habitat natural e as barreiras são quase invisíveis.
Entre crocodilos, raias, lontras, esquilos voadores, cobras, tigres, leões, leopardos, ursos, hienas, girafas, ratos, aranhas e escorpiões, peixe-gato, tartarugas e muitas outras espécies, fizemos duas viagens pelo Zoo. Uma de dia, pelo rio: não vão, não vale a pena: um percurso minúsculo de 15 minutos em que apenas vimos ao longe uma girafa. A melhor parte do rio foi a de parecer - para mim e para o João - que estavamos no meio do Mekong a ir buscar o Marlon Brando; nessa altura nem faltaram dois helicópteros a sobrevoarem a zona. Seria o Robert Duvall a ir buscar a prancha?!
De noite pudemos ver os animais de uma forma diferente. Um passeio a repetir mas com mais tempo... Porque depois disso foi uma correria para ir ao hotel tomar banho, jantar num japonês - a melhor refeição até agora - e voar até ao aeroporto numa carrinha saída do Pimp My Ride.

domingo, 5 de julho de 2015

Amizade


Em meados da década de 90 do século passado, ficou célebre uma música do Paulo Gonzo que tinha um refrão que era "ai como é bom assim acordar, com o sol na janela e magia no ar".
Não acordei com o sol na janela e a magia no ar era diferente daquela que o cantor falava na música. Era a magia da amizade.
Directamente da Toscana, recebi uma série de fotografias do Drew, em que figurava o autocolante do blog na sua scooter. Fiquei de sorriso franco, aberto, impossível de conter. Nos pequenos gestos se vêm os grandes amigos. Fantástico!
Agora, contando a história desde o início: como sabem, conheci o Drew e a Chel no Egipto. Foi uma amizade que nasceu no primeiro segundo que nos vimos. O Drew é americano... com todas as costelas portuguesas; a bandeira que me viam empenhar por terras africanas era dele.
Depois de inúmeras aventuras dos Três Mosqueteiros - eu, o Drew e o David, australiano - em cima dos nossos pequenos-pónei, a amizade perdurou. Falamos quase todos os dias, de tudo e de nada.
Quando lancei o Crowdfunding,  o Drew e a Chel foram os primeiros a apoiar a iniciativa e, daí, terem recebido os autocolantes da viagem, um coração especial para eles e inúmeros mapas, postais e brochuras dos sítios por onde passei na viagem pelo Império Austro-húngaro.
Agora,  agora é tempo de ir ter com eles a Itália. Está prometido.


  

quinta-feira, 30 de abril de 2015

30.4.15 - Hamburgo

Viajar tem coisas fantásticas!
Cheguei hoje ao final da tarde a Hamburgo, num voo da Ryanair e não vi a cidade; por causa disso não estava para escrever nada no blog. Nem tenho fotografias.
No entanto aconteceram-me duas coisas simplesmente deliciosas, daquelas que demonstram bem o porquê do prazer das viagens.
Há dias, ao conversar com uma amiga, ela dizia que quando eu relatava viagens apenas referia pessoas e quase nunca o país. Falava do Drew, da Jasmin, do Dave e pouco do Egipto em relação a eles. Respondi que os países estão e estarão lá, as pessoas tornam-nos especiais. E foi isso que aconteceu.
Tinha combinado com locadora da moto que chegava às nove da noite, já que o avião aterrava às oito. Contudo, as malas demoram e eu estava a ver que não chegava a tempo ao local. Telefonei e atendia um fax...
À porta do aeroporto de Hamburgo apanhei um taxi para me levar ao local. O taxista, um indonésio reformado da Siemens, onde trabalhou mais de trinta anos como engenheiro, que adora Portugal - Porto, S. Jacinto, Aveiro, Lisboa, Sintra e Cascais, disse-me ele onde esteve, por duas vezes em alguns locais -, vendo  minha aflição, tentou ligar para a locadora. Em vão.
Felizmente, quando chegamos ao local, estavam lá as pessoas à minha espera, igualmente muito simpáticas.
O meu amigo indonésio, como se tivesse feito pouco por mim, esperou que me entregassem a moto - uma Triumph azul - e fez questão de me guiar até ao hostel onde estou neste momento instalado.
Maravilha!
O hostel é nos arrabaldes de Hamburgo, numa rua sossegada e onde não se passa nada. Depois de fazer a minha cama e descarregar as malas da moto, fui jantar. Entrei no primeiro restaurante que vi, um Subway.
O dono ou gerente perguntou de onde eu era e, quando respondi Portugal, fez uma festa. Quando lhe contei que ia andar de moto por aí, a simpatia triplicou; na hora de pagar a sandes disse " é por conta da casa". Ele é palestiniano, tem um funcionário polaco e outro búlgaro.
Estávamos só os três no restaurante e chega uma espanhola. "Parece a aldeia olímpica!", disse o simpático palestiniano.
A viagem ainda não começou e já valeu a pena.