domingo, 16 de agosto de 2015

14.8.15 - Darwin | Jabiru



Escrevo de Jabiru, debaixo de um céu estrelado. Um país com a dimenção da Europa mas com apenas 23 milhões de habitantes tem coisas fantásticas.
Uma delas é não haver poluição, não se fazer sentir no céu o fumo das casas e fábricas ou a projecção das luzes.
Assim, as estrelas aparecem sem medo de mostrar o seu brilho; toda a Via Láctea se despe para nós como uma modelo numa sessão fotográfica: linda.
Debaixo deste céu relembro o dia de hoje. Escrevo no Moleskine porque não há net e não me quero perturbar o silêncio com o som das teclas do pc.
De manhã, como é hábito, foi um filme para chegarmos a tempo ao aeroporto. Como disse anteriormente, parece que fazemos de propósito mas juro que não.
No voo para Darwin, numa low cost, vim à conversa com duas simpáticas senhoras que me foram dando dicas do que poderíamos fazer, ou não, nos próximos dias.
A primeira foi: não nadem em nenhum lado.
Chegados a Darwin, tínhamos um forno com a porta aberta à nossa espera. As Wet Land estão na altura seca e, por isso, não há humidade no ar. É bom porque não se transpira tanto e não há tantos mosquitos; não é tão agradável porque há mais cobras.
Carro carregado com as Monte Campo e com pão, queijo, massas, enlatados, fruta, água, cerveja, Coca-Cola e outras coisas do supermercado mais próximo e fizemo-nos ao caminho.
Mal saímos de Darwin e entramos numa estrada recta que nos trouxe ao interior do Território do Norte, começamos a ver os ninhos de térmitas que mais se assemelhavam aos arranha-céus da baixa de Sydney.
Manadas de búfalos e muito sinais e placas para se ter cuidado com os crocodilos.
Por falar em crocodilos, parámos em cima de um charco de água e lá estava um – pequeno, com uns 3,5 metros – a apanhar sol na margem. Mal reparou em nós, com uma agilidade surpreendente, desapareceu na água; e podiam estar 500 com ele, dada a escuridão daquela mistura de água com lodo. Foi tão rápido que nem deu para fotografar.
Mais à frente, ao cruzarmos a ponte do South Alligator River, vários exibiam-se nas margens do rio. Infelizmente não se podia parar e, por isso, fotos do pós-dinossauro ficam para amanhã.
Estamos hospedados num bungalow dentro de um parque de caravanas; algo muito habitual por aqui. Pick-Up`s com a caixa fechada, de onde sai de tudo: desde uma tenda que cobre toda a carrinha a grelhadores a gás, juntando-se aparelhos especiais para ver a vida selvagem, espreguiçadeiras, bicicletas, etc. etc.. Tudo o que um aventureiro possa necessitar para cruzar o país.
Aproveitando os útimos minutos de sol, fomos dar uma volta por Jabiru. Vimos dois bandos com milhares de papagaios e morcegos competindo com o ruído pelas árvores. Os papagaios ariscos com as suas popas amarelas. Os morcegos... do tamanho de Bruce Wayne.
É cedo, mas tarde para aqui. Vou continuar a olhar o céu e a rabiscar no meu caderno verde... 

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