domingo, 30 de agosto de 2015

29.8.15 - Chão da Velha (Nisa)

Vim ontem para o Alentejo, seguindo a estrelas rumo a sul, com o sol a pôr-se a oeste.
Descendo por Penela, em direcção a Figueiró dos Vinhos, Sertã; passada a barragem do Fratel, um placar acolhe-nos, o Alentejo saúda-nos.
Acordei no Chão da Velha, perto de Nisa. De ontem, além da viagem, fica como relato as boas vindas do Pedro - já não nos víamos desde a apresentação do Armas de Papel, de Pacheco Pereira. Falamos da vida, da actual e a passada, falamos de história, de estórias de ventoínhas que povoam os montes, os partidos actuais e os passadas, do tempo do ML e do reviralho. Com um copo de vinho tinto, com o calor da noite a não diferenciar muito do calor do dia, deambulamos por séculos, terminando no sec. XX, o século do povo.
Hoje de manhã, despertado pelos raios de sol que teimam em atravessar as portadas, a vontade de ir ao Tejo foi a força motriz que me fez levantar da cama.
De Monte Campo às costas, equipado a rigor, desci a Rua Principal do Chão da Velha. No final do empedrado, depois dos currais, começa a descida íngreme e em terra batida que me leva até ao principal rio da península.
São dois quilómetros sempre a descer, por entre pequenas hortas, eucaliptos, medronheiros. Algumas abelhas e outros insectos acompanham a passada; tinham-me dito que, com sorte, poderia ver um ou outro veado; se fosse à noite tinha raposas. Não tive sorte.
Chegado ao Tejo o espelho de água negro reflecte a serra e o comboio que passou na outra margem, do lado de Vila Velha de Ródão.
Sempre a descer até ao rio, sempre a subir de volta à aldeia, mais dois quilómetros. Estava feito o PR 2 dos caminhos pedestres de Nisa - Descobrir o Tejo.
Antes de almoço, ainda havia tempo para ir ao PR 4 - Trilhos do Conhal.
Da aldeia do Arneiro, em direcção ao rio, vão aparecendo pedras enormes que transformam a paisagem alentejana numa paisagem marciana. Por entre pedras milenares nascem oliveiras, isoladas e fortes, como são as árvores robustas.
Almoço? No Arneiro, no Túlio: carpa, lúcio e perca frito. Depois umas migas com ovas, azeite da terra e poejo, o peixe cozido e a água do seu cozido fazem o resto. Divinal.
Três da tarde e barriga cheia. Como qualquer alentejano que se preze - em Roma sê romano -, fui dormir a sesta; e dormi e dormi e dormi-
Acordei a tempo para dar um mergulho nas piscinas municipais de Nisa, antes de voltar a Rua Principal e, em tertúlia com os vizinhos, com o copo a esvaziar-se para voltar a encher, falar da vida.




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