terça-feira, 18 de agosto de 2015

16.8.15 - Coolinda | Darwin

Como ontem nos deitamos muito cedo - a partir das 21:30 não há nada para fazer em Cooinda, não se ouve ninguém, apenas os bichos - a alvorada também foi cedo. O dia ia ser longo e todos os minutos são preciosos.
De Cooinda seguimos por uma estrada em terra batida, ao longo de 50 Km, até às Jim Jim Falls. No início a estrada é larga e rápida, podendo-se rodar a 100 Km/h. Mas depois de Garnamarr, fica mais estreita, passando apenas um carro de cada vez, com areia solta e, na passagem dos leitos secos dos rios, uma autêntica trialeira.
Chegados a Jim Jim Falls aguarda-nos uma caminha sobre rochas enormes, como prelúdio para o paraíso.
Como estamos na época seca e do alto dos 70 metros da escarpa não cai nem uma gota de água e, por isso, vamo-nos deparando com pequenas praias de água tranquila e areia muito branca e fina, ao estilo de Blue Lagoon, que se vão formando onde outrora a força das águas é muita.
Saltando como cabras montesas entre as várias pedras, chegamos à base da cascata: uma pequena lagoa escura devido à sombra projectada e aos 30 metros de profundidade; um abismo lindo.
Um guia local, de um grupo de turistas alemães e italianos, em calções de banho, mergulhou na água. A seguir um senhor com mais de 70 anos.
Não resisti: tirei a roupa e, de boxers, fui mergulhar também.
Deveriam estar 30 ºC cá fora - eram nove e pouco da manhã - e estavam 14ºC na água. Um gelo, um choque térmico enorme; mas não tão grande como o prazer de poder nadar naquele sítio, sabendo que, muito provavelmente, nunca mais terei oportunidade de o fazer.
Com o calor a aumentar, rapidamente estava  seco.
De Jim Jim Falls seguimos por mais 10 Km de trialeira, vegetação densa e cruzando rios com mais de 80 cm de profundidade até às Twin Falls.
Chegados lá, o guia do parque falou-nos dos perigos de fazer uma caminhada de 3 Km até ao topo da cascata, com o calor que se fazia sentir.
Assim, apanhamos uma barca que nos levou quase até à base da cascata; esta com água.
Ao contrário da anterior, como a água corre, há sistema de vasos comunicantes entre os vários rios e riachos, sendo o perigo de aparecer um, ou mais, crocodilos real. Aqui é estritamente proibido entrar na água.
As praias que se formam são de uma beleza indescritível, cavadas a muitos metros de profundidade entre rochas e escarpas. A vontade de voltar a nadar era enorme. Não o fiz directamente, fi-lo de outra forma.
O João disse-me para me colocar na base da cascata para me tirar uma foto com a água a cair, tipo chuveiro. 
Lá fui eu, vestido e tudo. Não contente com o sítio onde estava, decidi caminhar pelas pedras da base, atravessando a queda de água principal. O musgo e o visco eram bastante escorregadios e o que começou por ser uma caminhada, de forma bastante rápida transformou-se numa escalada ao estilo Homem-Aranha, para não me estatelar nas pedras e na água.
Consegui, fiquei todo molhado mas tirei uma foto num local único, banhado pela água límpida e fresca das Twin Falls.
Tanta emoção num só dia!
Depois foi tempo de voltar a Darwin, pela mesma trialeira e estrada de terra batida, quase desertas que, com a o tom alaranjado do pôr-do-sol e os carros abandonados na berma da estrada devido a acidentes com animais, davam uma atmosfera MadMax.
Chegados a Darwin foi tempo de tomar banho numa banheira, fazer as malas e dar uma volta pela cidade.
Amanhã vamos para Singapura para, numa correria, ver o resto da cidade.




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